Os 7 princípios do turismo sustentável defendidos pelo Instituto Semeia - e por que acreditamos neles

27/08/2026

Os Parques do Brasil têm recebido cada vez mais visitantes. Nos últimos anos, o número de pessoas que visitam unidades de conservação por todo o país tem atingido patamares inéditos: contando apenas os parques nacionais, foram mais de 13,6 milhões de turistas em 2025. O que mostra que a população brasileira tem cada vez mais entendido que a natureza é um direito de todos – e, mais do que isso, que é o ambiente perfeito para relaxar, observar e ter momentos para guardar por toda a vida.

Este aumento no número de visitantes nos nossos parques é, sem dúvida, motivo de orgulho. Mas defender e atuar para que este crescimento de visitação continue precisa vir carregado de responsabilidade. Afinal, quanto mais pessoas visitam um local, maior a possibilidade de que este local mude de alguma maneira. É justamente por isso que o Instituto Semeia construiu, com base nas boas práticas do Brasil e exterior, os 7 princípios do turismo sustentável.

“O Brasil está agora num patamar de mais ou menos 16 milhões de visitas por ano nos parques nacionais e estaduais. A gente sabe que é possível chegar a até 56 milhões de visitas. Existe um turismo que está crescendo, que sabe que pode crescer mais, mas que não queremos que cresça a qualquer custo”, explica Renata Mendes, diretora executiva do Semeia.

“Trabalhar com estes princípios do turismo sustentável vai além de um trabalho institucional, de dizer em que acreditamos. O que precisa, na prática, é que esses princípios sejam vividos, e que as experiências de visitar um parque possam deixar impactos positivos para a natureza, para a população local e para quem visita”, complementa.

Os parques do Brasil têm um potencial enorme para trazer diversos benefícios ao país, em âmbitos como o social, o cultural, o ambiental e o econômico. Para que isso aconteça, porém, é fundamental que eles sejam bem administrados. É justamente aí que entram os 7 princípios do turismo sustentável – que, além da sustentabilidade, abrangem conceitos ecológicos e responsáveis. 

O que é turismo sustentável?

Antes de entrarmos nos princípios do turismo sustentável do Semeia, é importante entender o que é turismo sustentável. De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), turismo sustentável é uma forma de turismo que respeita os atuais e futuros impactos ambientais, econômicos e sociais, incluindo as necessidades de comunidades locais, visitantes, indústria e meio ambiente.

Esta definição pode ser considerada a base do que o Instituto Semeia chama de “círculo virtuoso das Unidades de Conservação”, unindo visitação, conservação e geração de renda.

Se quiser entender melhor, este texto explica como os parques naturais auxiliam no desenvolvimento do Brasil.

Ou seja: os pilares do turismo sustentável são formados pelos componentes ambientais, sociais e econômicos de uma viagem, seja ela realizada dentro de unidades de conservação, ou não.

“Além de visitar um parque, o turista conhece as comunidades do entorno, entende sobre a cultura e nosso patrimônio natural, cultural, aprende mais, prova da gastronomia local, conhece as tradições… Você está se conectando, se apaixonando e entendendo as diferentes caras que o Brasil tem”, conta Renata.

“É uma forma mais holística de olhar para o turismo, com a possibilidade de impactos positivos mais amplos para a natureza e para as pessoas”, completa. 

Quais são os 7 princípios do turismo sustentável do Instituto Semeia? 

Como disse Renata, os princípios do turismo sustentável do Instituto Semeia foram criados para serem vividos na prática. Uma das principais inspirações para eles foram os fundamentos Leave No Trace (Não Deixe Rastros, em tradução livre), desenvolvidos nos Estados Unidos com a ideia de diminuir os impactos da visitação nos parques.

Mas a base de referência para os 7 princípios vem de um universo plural, com recomendações inspiradas em ações como o Plano Brasis, o estudo Unlocking Opportunities for Travel & Tourism Growth in Latin America e o movimento Healthy Parks Healthy People (parques saudáveis, pessoas saudáveis, em tradução livre), entre outras.

No Brasil, o objetivo é parecido: queremos que a visitação e o acesso às áreas naturais protegidas seja cada vez mais democratizado e desejado, mas com efeitos minimizados. Conheça agora os 7 princípios do turismo sustentável.

1 – Reduzir os impactos ambientais
Uma das principais razões para que uma pessoa queira visitar um parque ou uma área ao ar livre são as belezas naturais. Quanto mais a natureza estiver conservada, mais as pessoas vão querer conhecer e proteger.

Cuidar da natureza com responsabilidade e comprometimento, de maneira intencional: com ações que diminuam efetivamente os impactos ambientais. Este é um dos principais pontos do turismo sustentável, fundamental para que ele continue existindo. O turismo em parques e outras unidades de conservação precisa considerar ações que minimizem e promovam a adaptação climática.

É como diz aquela frase comum em placas pelo Brasil: não tire nada além de fotos, não deixe nada além de pegadas, não leve nada além de memórias.

2 – Inspirar consciência ambiental
Uma das principais belezas do turismo em parques é a conexão profunda de pessoas com elas mesmas, com outras pessoas e com a natureza – um caminho para o encontro da saúde física e emocional. Quando essa experiência aflora, maior a chance do encantamento pela natureza e do engajamento da população na defesa do nosso patrimônio natural.

Mais uma vez, é algo que vai além da teoria: a ideia é que seja vivida na prática. O papel principal, aqui, é compartilhado com diversos atores envolvidos no turismo: guias, moradores locais e visitantes, por exemplo.

Quanto mais as pessoas estiverem conectadas com a vida ao ar livre, mais chances existirão de que os recursos naturais continuem protegidos – e continuamente visitados pela população.

3 – Gerar benefícios reais para a natureza e para quem vive nela
“Não é uma experiência que deve ser positiva só para as pessoas, ela precisa também ter responsabilidade e ser sustentável para a natureza.”

A frase de Renata Mendes resume mais um dos princípios do turismo sustentável do Instituto Semeia. A visitação nos parques naturais e urbanos precisa considerar a natureza e a comunidade local – e não só os turistas: conservar, proteger e fortalecer os territórios, com ganhos justos e equilibrados para a biodiversidade e para as comunidades locais.

Isso inclui a criação de oportunidades econômicas e a proteção dos direitos de trabalhadores e residentes.

4 – Proporcionar experiências significativas
Visitar um parque é se conectar com uma realidade diferente. E é quase impossível não se encantar com esta vivência. Conversar com quem visita os locais, assistir a vídeos e ver imagens dos parques do Brasil é algo, que por si só, gera orgulho.

É criar experiências autênticas e respeitosas, valorizando também histórias, culturas e modos de vida de pessoas que vivem os parques.

E podemos dizer sem medo de errar: cada vez mais nossos parques têm gerado experiências inesquecíveis. Se quiser ter um gostinho disso, nossa seção Parque do Mês apresenta diversas unidades de conservação para você.

5 – Democratizar o acesso aos parques
O crescente número de visitantes dos parques brasileiros mostra que o acesso tem sido democratizado ao longo dos últimos anos. Queremos que esse seja um privilégio de todas as brasileiras e todos os brasileiros, e não de apenas alguns grupos.

Os Parques do Brasil precisam ser verdadeiramente diversos, inclusivos e acessíveis a todas as pessoas, independentemente de habilidades físicas e condições socioeconômicas.

O Instituto Semeia acredita, com base em estudos de potencial turístico, que o número pode crescer ainda mais – e que mais pessoas podem ter a oportunidade de conhecer mais parques pelo Brasil.

6 – Garantir bem-estar para quem visita e para quem recebe
O círculo virtuoso das Unidades de Conservação está conectado a parques bem conservados atraindo mais visitantes. Estes visitantes podem, ao mesmo tempo, se sensibilizar ambientalmente e deixar impactos positivos consumindo dos negócios locais e gerando renda para esse entorno.

As experiências turísticas nos parques do Brasil devem ser acolhedoras, inesquecíveis e seguras – não só para quem viaja, mas também para quem está no território, recebendo turistas.

É uma engrenagem que se retroalimenta e que deve assegurar um legado positivo duradouro – e que pode trazer impactos extremamente positivos social, ambiental e economicamente.

7 – Salvaguardar o diálogo e a participação das comunidades locais
A participação das pessoas que moram no entorno de unidades de conservação é fundamental para que o turismo sustentável seja aplicado na prática. As decisões de como caminhar com o turismo localmente serão mais acertadas se as pessoas envolvidas com o fluxo turístico estiverem presentes nos diálogos e, eventualmente, na oferta desses serviços.

Envolver ativamente as comunidades locais nas tomadas de decisões relacionadas ao turismo é fundamental, com representatividade de grupos diferentes e a garantia de que as vozes sejam ouvidas e respeitadas.

Os princípios do turismo sustentável do Instituto Semeia podem impactar positivamente o Brasil. Não só quem viaja, mas também as pessoas que moram em comunidades próximas aos parques. O turismo só será sustentável se crescer de forma ordenada, gerando oportunidades e renda para a população, além de experiências inesquecíveis para viajantes – tudo isso com o cenário deslumbrante da natureza brasileira como testemunha.

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