Leave No Trace: como o movimento de não deixar rastros pode melhorar a experiência de visitação em parques 

06/08/2026

Parques e áreas naturais mais conservadas naturalmente atrairão mais a atenção de pessoas com vontade de visitar e conhecer estes lugares. Embora não seja uma equação direta, é isso o que mostra a experiência. Diversas ações podem ser realizadas para que as unidades de conservação se mantenham vibrantes e protegidas: uma das que mais vem ganhando força no Brasil é o movimento Leave No Trace.

O conceito é conhecido desde a década de 60, mas foi em 1994, nos Estados Unidos, que a Leave No Trace foi constituída como organização. A ideia é bastante simples: que as visitas a áreas naturais tenham o mínimo impacto possível, valorizando o cuidado, a responsabilidade e a condução da vida ao ar livre. 

O que significa que as ideias desenvolvidas pelo Leave No Trace têm tudo a ver com a gestão de unidades de conservação brasileiras – e podem melhorar a experiência de visitação em parques, ao mesmo tempo em que cuidam da exuberante diversidade natural do país. 

“O meio ambiente está, e sempre esteve, interligado às pessoas. O ambiental é indissociável do social. Mais do que mais pessoas conhecendo trilhas e montanhas, é fundamental o desenvolvimento da consciência ambiental”, explica Bruno Negreiros, especialista em Leave No Trace. 

O que é o Leave No Trace e qual é a tradução?

Em tradução livre, Leave No Trace significa algo como Não Deixe Rastros. E é justamente essa a ideia: frequentar o ambiente natural, sim, mas respeitando a natureza e gerando o mínimo impacto possível. 

Consultor ambiental há mais de 10 anos, Bruno é coordenador do Programa Capacitar, uma iniciativa da Gear Tips de formação profissional para atividades ao ar livre. Para ele, os conceitos Leave No Trace estão totalmente conectados à realidade das unidades de conservação brasileiras – tanto para a gestão destes espaços quanto para quem vai visitar. 

“Não deixar rastros não pode ser só uma lista colada na entrada dos parques, que as pessoas vão ver e achar legal. Precisa ser aplicado no dia a dia, com uma reflexão crítica de como fazer isso, tanto por gestores quanto por guarda-parques e os atores indiretos deste universo”, sugere. 

O Leave No Trace conta com 7 princípios básicos, desenvolvidos unindo comportamento responsável, ciência e ética para reduzir os impactos humanos na natureza. 

Conheça os 7 princípios Leave no Trace: 

1 – Planeje com antecedência e prepare-se

2 – Viaje e acampe em superfícies duráveis

3 – Descarte corretamente os resíduos

4 – Deixe o que encontrar

5 – Minimize o impacto das fogueiras

6 – Respeite a vida selvagem

7 – Tenha consideração pelos outros 

Se quiser conhecer em detalhes os princípios Leave No Trace, este texto traz todas as informações. 

Embora alguns dos princípios Leave No Trace estejam focados em atividades como acampamento e pernoite, eles são, na prática, aplicáveis em qualquer atividade ao ar livre – de trilhas a piqueniques, de travessias que duram dias a um passeio no parque com a família. 

Leave No Trace Brasil: como funciona 

O Brasil é um dos mais de 100 países em que a Leave No Trace atua. No território nacional, o Gear Tips é o parceiro corporativo da organização norte-americana. Aqui, já realizou diversas ações como cursos e workshops, com centenas de instrutores e instrutoras com formação certificada. 

Mais do que sugestões de como se portar na natureza, o Programa Capacitar Gear Tips pode ter papel prático de integração com unidades de conservação por todo o Brasil: educando e certificando as pessoas em prol da associação pessoas-natureza. 

“Um dos impactos é tirar os princípios Leave No Trace do papel. O segundo ponto é a capacidade de multiplicação, que vai além das pessoas formadas. A comunidade do entorno é muito importante, além de todas as esferas de atuação de uma unidade de conservação”, conta Bruno. 

Quando o consultor ambiental fala das pessoas que moram no entorno de parques, vale ressaltar que o site oficial do Leave No Trace explica que “muitas culturas indígenas e nativo-americanas ensinam e incorporam valores de gestão, e têm feito desde muito tempo”. A participação de quem nasceu e mora na natureza é essencial para o futuro.

Em resumo, são três os impactos positivos principais que o Leave No Trace pode trazer às unidades de conservação: 1) a capacidade de refletir e aplicar melhor os princípios na gestão do parque; 2) a capacidade de multiplicar o tema; 3) a capacidade de envolver todos no entorno para gerar o mínimo impacto na natureza. 

Equipe do Semeia durante capacitação sobre Leave no Trace.

“Se a equipe do parque estiver mais treinada, a tendência é que o espaço esteja mais bem conservado, com trilhas mais limpas, com o uso mais consciente dos dispositivos de apoio e assim por diante”, completa Bruno. 

A associação é simples: se tudo isso estiver aplicado, inevitavelmente a experiência de visitação também será superior. 

Jornada de Montanhismo e capacitação 

Desde que foi criado, o Programa Capacitar Gear Tips já formou mais de 350 instrutores e instrutoras no Brasil. Como o próprio nome diz, é um projeto que tem foco na capacitação de quem trabalha no mercado de atividades ao ar livre: guias, condutores, guarda-parques, bombeiros, gestores, educadores e pessoas que atuam em outras funções. 

São diversos cursos disponíveis, com direcionamentos e formatos diferentes, a depender de cada objetivo. 

“Já realizamos cursos com diversas unidades de conservação, seja para guias, condutores, monitores credenciados e até bombeiros. Todos fazem parte da nossa trilha de conhecimento profissional”, explica Bruno. 

Para conhecer melhor o Programa Capacitar, aqui tem as informações completas

Uma oportunidade para quem conhecer melhor o trabalho do Gear Tips é a Jornada Cultural e Científica de Montanhismo, que acontece entre 30 de outubro e 2 de novembro de 2026, no distrito de Lídice, no estado do Rio de Janeiro. 

O evento é composto por diversas atividades que envolvem cultura, ciência, sustentabilidade e montanhismo – com workshops, palestras, trilhas ao ar livre e apresentação de trabalhos científicos. A Jornada conta com o apoio do Instituto Semeia. 

“É um evento feito para qualquer pessoa que se interessa pelo tema, desde quem curte fazer trilhas até quem trabalha na área. Existem diferentes formas de aproveitar a Jornada, com atividades feitas para quem é entusiasta, montanhistas profissionais e pessoas que trabalham em unidades de conservação”, explica Bruno. 

“É uma ótima forma de viver a montanha, em uma região muito bonita. A Jornada traz muito relacionamento, ampliando as conversas entre as pessoas que curtem o mesmo tema”, completa. 

As inscrições para a Jornada Cultural e Científica de Montanhismo podem ser feitas aqui.

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