Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência: conheça projetos que ampliam o acesso aos Parques do Brasil

21/09/2026

A natureza é para todas as pessoas. E quando falamos em todas, estamos nos referindo realmente a toda população brasileira. Existem desafios para que a visitação seja ampliada, beneficiando uma parcela cada vez maior da sociedade. Em comemoração ao Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, apresentamos iniciativas que mostram que existem soluções criativas para aumentar a acessibilidade e a presença das pessoas nos Parques do Brasil. 

Quase 9% de toda a população do nosso país possui deficiência, de acordo com a Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios 2022 do IBGE: são mais de 18,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, entre física, visual, auditiva, intelectual e psicossocial. 

Além das barreiras físicas, existem estigmas sociais que recaem sobre esta significativa parcela da população. O Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência foi instituído em 2005 justamente para diminuir esta segregação – e a presença cada vez mais frequente destas pessoas nos parques naturais de todo o país pode ter um papel relevante na inclusão, já que a vida ao ar livre traz muitos benefícios ao ser humano

De acordo com estudos e práticas da British Ecological Society, a natureza tem diversos benefícios para pessoas com deficiência: senso de liberdade e independência, conexão social e diminuição do estresse, mesmo com interações rápidas na natureza. 

Estes benefícios estão, inclusive, descritos entre as obrigações das políticas públicas nacionais. Instituída em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão traz explicitamente que espaços de uso público, como parques e praças, devem contar com acessibilidade para a população com deficiência. 

“Às vezes esta limitação está em nós mesmos. As pessoas com deficiência embarcam nessa aventura, aproveitam o máximo que podem e veem que o lugar delas é nos parques também”, explica Ângela Bispo, coordenadora do Parque Estadual da Mata Atlântica, em Água Limpa-GO, unidade que durante a ação Um Dia no Parque realizou um encontro com deficientes visuais, em julho de 2026 (veja mais abaixo). 

Aproveitando o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, conheça agora algumas iniciativas de inclusão e acessibilidade pelos Parques do Brasil. 

Foto: Acervo PEMA
O Encontro Inclusivo para Deficientes Visuais | Parque Estadual da Mata Atlântica (GO)

Organizado desde 2018 com o objetivo de aproximar a sociedade brasileira das áreas naturais protegidas, a edição 2026 do movimento Um Dia no Parque teve um momento bastante especial no estado de Goiás: o 1º  Encontro Inclusivo no Parque Estadual da Mata Atlântica (PEMA), em parceria com a associação Na Bike com Deficiente Visual (NBDV).

A iniciativa surgiu a partir do Programa Meu Parque, da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás, que tem a proposta de aproximar a população das unidades de conservação. 

“Soube da existência do NBDV e entrei em contato com eles, propondo esse encontro de inclusão social, conscientização e preservação ambiental. Do início ao fim foi tudo programado para os deficientes visuais, para que eles saíssem do parque com esse sentimento de pertencimento ”, explica Ângela, coordenadora do PEMA.  

Durante dois dias de atividades, os deficientes visuais e voluntários do NBDV participaram de diversas atividades dentro do Parque: trilha sensorial, caminhada de médio curso, canoagem, exposição de animais taxidermizados e, claro, o cicloturismo inclusivo de 20km pelas estradas da região – clique aqui para conhecer atividades acessíveis realizadas dentro de unidades de conservação. 

“Foi uma das experiências mais incríveis que todos já tiveram”, conta Luiza Ines, coordenadora do NBDV, lembrando que para diversos participantes foi a primeira vez pedalando em vias abertas, superando as barreiras com o apoio dos ciclistas guias. 

Para Ângela, pelo lado da gestão do Parque a experiência também foi inesquecível. Segundo ela, um dos papéis dos parques é promover a conexão com toda a população, permitindo experiências sustentáveis e ampliando a participação das pessoas nas atividades do dia a dia das unidades de conservação. 

“Desde o momento em que eles desceram dos transportes eu já fui impactada. Porque eles falavam ‘uau, que lugar lindo, que ar puro, quanta natureza’. Eu ficava imaginando como eles estavam vendo e daí percebi que eles sentiam tudo. E os acompanhantes e voluntários vieram narrando a exuberância da nossa flora, das belezas naturais do Parque”, lembra Ângela. 

“Acredito que conseguimos transmitir para cada um que participou do evento que o parque é para todos, que todos têm esse direito de desfrutar de ambientes naturais, que eles podem, sim, vivenciar o que há de melhor na natureza. Cada sorriso contribuiu para que possamos a cada dia melhorar e estruturar os parques de Goiás para que qualquer pessoa possa visitar, curtir, aprender e multiplicar”, complementa. 

A ideia é que, a partir de agora, este evento faça parte do calendário anual do PEMA. 

Foto: Foto: Reprodução/Seas-RJ
Trilhas Inclusivas: projeto amplia acessibilidade em parques do RJ 

O Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência é dia também de celebrar iniciativas pelo Brasil que ampliam a acessibilidade nos parques naturais. Uma delas é o projeto Trilhas Inclusivas, desenvolvido pelo Inea-RJ (Instituto Estadual do Ambiente) e lançado em março de 2026. 

Lançado oficialmente no Parque Estadual dos Três Picos, em Cachoeira do Macacu-RJ, ele promove o acesso de pessoas com deficiência física e/ou limitações de mobilidade aos parques utilizando cadeiras adaptadas chamadas Julietti. 

O Trilhas Inclusivas é um projeto que vem amparado pela Lei 7398/2022, que orienta que as trilhas e parques municipais da cidade do Rio de Janeiro devem disponibilizar uma cadeira Julietti para pessoas com limitações físicas. 

As cadeiras Julietti, inclusive, nos levam ao nosso próximo tópico. 

Foto: Acervo Montanha para Todos
Montanha para Todos: acessibilidade para pessoas com deficiência 

A cadeira Julietti, que nos últimos anos têm revolucionado a acessibilidade nos parques naturais, é brasileiríssima – e surgiu de um drama familiar vivido pelo casal Juliana Tozzi e Guilherme Simões. Desenvolvida em 2015 para que Juliana pudesse continuar visitando áreas naturais mesmo depois de uma grave síndrome neurológica, a cadeira se tornou uma das grandes propulsoras do instituto Montanha para Todos, criado para incentivar o acesso à natureza para pessoas com deficiência motora. 

“Criei a cadeira inicialmente só para a minha esposa. Mas abraçamos a causa como se fosse uma missão: se faz bem para a Juliana, a gente pode espalhar isso para mais pessoas”, conta Guilherme. 

Com nome que homenageia a musa inspiradora, a Julietti logo se tornou sinônimo da cadeira de roda (ela possui apenas um pneu) adaptada que permite que pessoas com deficiência física possam passar por trilhas, caminhos e até subir montanhas. 

São diversas cadeiras Julietti espalhadas por diversos parques e outras áreas naturais do Brasil, como os parques nacionais de Fernando de Noronha, da Serra da Capivara, da Chapada dos Guimarães e muitos outros – a lista pode ser vista aqui

“Existem muito mais cadeiras para além destas de montanha, são quase 2 mil cadeiras pelo Brasil. Nossa ideia é estruturar e catalogar todos estes dados em uma plataforma que possa conectar as pessoas com deficiência, os locais que têm as cadeiras e outros voluntários. Nossa grande vontade agora é gerar um banco de informações que permita conectar todas as  partes”, explica Guilherme. 

Foto: Reprodução/Fundação Florestal
Parques Inclusivos: acesso gratuito e cadeiras Julietti em SP 

De acordo com a Fundação Florestal de São Paulo-SP, 51 unidades de conservação do estado contam com cadeiras Julietti. Além disso, o projeto Parques Inclusivos prevê isenção no pagamento do ingresso para pessoas com deficiência e mais quatro acompanhantes (mediante apresentação de carteirinha PcD). 

O objetivo do programa é justamente ampliar o acesso das pessoas com deficiência aos parques naturais do estado, que, segundo o órgão, contam também com plataformas de acessibilidade, corrimões e melhorias nos acessos a trilhas, mirantes, praias e cachoeiras. 

Neste link está a lista completa dos parques de São Paulo que contam com cadeira Julietti, inclusive com a possibilidade de agendamento. 

Que possamos aproveitar o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência para lembrar, como dissemos no começo deste texto, que a natureza e os parques do Brasil são para todas as pessoas. 

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