Cicloturismo em São Paulo: conheça a Ciclo-Rota da Mata Atlântica

Partindo da região metropolitana da capital paulista e passando por diversas unidades de conservação, ela conta com mais de 500km

03/09/2026

No imaginário de grande parte das pessoas, fazer cicloturismo em São Paulo não necessariamente está ligado à natureza. Ainda mais quando se trata de um caminho que parte do entorno da capital paulista, o maior centro urbano da América Latina – como é o caso da Ciclo-Rota da Mata Atlântica.

Mas a abundância natural que os mais de 500 km do circuito apresentam mostra que, sim, existe um ecossistema riquíssimo e muito vivo por todo o estado. Ainda mais quando a rota passa por diversas unidades de conservação, que auxiliam a manter a biodiversidade e a qualidade de vida de diversas espécies da fauna e da flora – inclusive a humana. 

Do início da Ciclo-Rota, na cidade de São Bernardo do Campo, até o final dela, em Bananal, quase na divisa com o Rio de Janeiro, quem viaja vive uma verdadeira imersão na Mata Atlântica, passando por 12 cidades paulistas. Pelo caminho, além da passagem por diversos parques (veja mais abaixo), ciclistas passam por tesouros naturais como cachoeiras, montanhas, rios e paisagens belíssimas, além de viverem a cultura local de populações no entorno da Serra do Mar e da Serra da Mantiqueira

Embora a ideia de desenvolver uma rota de cicloturismo em São Paulo passando por boa parte da Mata Atlântica exista há tempos, foi em julho de 2026 que a Ciclo-Rota da Mata Atlântica ganhou a sinalização característica com as placas pretas e amarelas da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso. O projeto contou com execução do Instituto Ilhabela Sustentável (ISS) e patrocínio do Instituto Semeia. 

Carlos Nunes foi o coordenador técnico do projeto. Ex-diretor do ISS e ciclista há mais de 40 anos, ele foi pessoalmente ao lado da esposa Gilda Nunes, atual diretora do ISS, implementar as placas durante os mais de 500 km de trilha.    

“Foi uma experiência sensacional. Já tinha pedalado esses trechos algumas vezes, e agora teve esse retorno mapeando toda a rota com as plaquinhas, conversando com as pessoas das comunidades, as secretarias de turismo, gestores dos parques… No final das contas, temos o mapeamento não só da rota, mas também de todos os pontos de sinalização”, conta Carlos. 

O mapa completo da Ciclo-Rota da Mata Atlântica, inclusive com os pontos de sinalização, unidades de conservação e atrativos pode ser visto aqui

Como é a Ciclo-Rota da Mata Atlântica?

A existência de uma rota de cicloturismo em São Paulo como esta vai muito além do ato de pedalar. A Ciclo-Rota da Mata Atlântica traz a força e a beleza de um bioma riquíssimo, com passagens por diversas áreas protegidas e trazendo oportunidades socioeconômicas para quem mora ao longo do percurso. 

Este, aliás, foi um dos objetivos da rota desde a concepção. Dividida em 9 trechos, a ideia é que cada um deles seja feito em um dia, com ciclistas pedalando entre 50 e 70 km por dia para completar a Ciclo-Rota.  

“Fizemos esse mapeamento com o olhar para ciclistas. Isso significa que pedalando cada trecho por dia, a pessoa sempre vai terminar em um local que tem opções de onde dormir e onde comer”, explica Carlos Nunes. 

Ou seja: a ideia da Ciclo-Rota é não só trazer conforto e tranquilidade para quem pedala, mas também oferecer oportunidades para negócios locais e empreendimentos ao longo do caminho. 

Praticamente todo o trajeto é realizado em uma região de ampla relevância ambiental. Para quem gosta de pedalar, é um prato cheio. O que não significa que qualquer ciclista esteja apto a cruzar a rota inteira em cima de uma bicicleta: afinal, são mais de 500 km de extensão. 

As estradas são praticamente todas de terra, com muitas subidas e descidas, ideais para mountain bike. Os 9 trechos da Ciclo-Rota da Mata Atlântica contam com uma grande diversidade de roteiros – e todos podem ser feitos de maneira independente, sempre reservando experiências marcantes. 

A sinalização da Ciclo-Rota da Mata Atântica, característica com as placas pretas e amarelas da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso, é um projeto patrocinado pelo Instituto Semeia. 

“O trecho 9 é o maior de todos, mas ele tem uma característica específica. Ele é o mais longo, com cerca de 77km, só que os 20km finais são praticamente só de descida, o que é ótimo”, explica Carlos. 

“Já o trecho 1 tem um pedaço que é lindo demais, o distrito de Taiaçupeba, em Mogi das Cruzes. As pessoas mais urbanóides nem acreditam que é um trecho na Grande São Paulo, que um cicloturismo em São Paulo possa ter uma natureza como esta”, complementa. 

Toda a Ciclo-Rota pode ser feita também por 4X4, inclusive para quem vai dar apoio aos ciclistas. Ela também pode ser realizada a pé, mas a diferença principal é quanto aos pontos de hospedagem e alimentação: como ela foi pensada para ser feita de bicicleta, os pernoites para quem for fazer a travessia completa a pé podem não ser feitos nos locais planejados pela organização. 

Por onde passa a Ciclo-Rota da Mata Atlântica? 

Durante o desenvolvimento da rota, uma das preocupações foi que os trajetos passassem por por onde já existiam caminhos. Por este motivo a Ciclo-Rota passa por diversos roteiros já conhecidos, como os Caminhos do Mar e o Caminho do Sal, e também no entorno de rotas como o Caminho da Fé e a Estrada Real. 

A Ciclo-Rota da Mata Atlântica tem como uma das principais companhias o Parque Estadual da Serra do Mar, considerada a maior área de proteção integral de todo o litoral do Brasil com mais de 322 mil hectares. O roteiro passa, pelo entorno ou por dentro, de sete núcleos do Parque Estadual: Itutinga Pilões, Bertioga, São Sebastião, Padre Dória, Caraguatatuba, Picinguaba e Cunha). 

Um dos grandes destaques da Ciclo-Rota é a passagem pelo Parque Nacional da Serra da Bocaina. Localizado em um dos cenários mais icônicos da Mata Atlântica, ele abre as portas para ciclistas apreciarem e viverem as belezas naturais que só o Brasil pode oferecer. 

Veja no mapa por onde a Ciclo-Rota da Mata Atlântica passa.

Durante o pedal, ciclistas chegam a ele no trecho 8, logo depois de sair do distrito de Campos Novos de Cunha. O trecho 9, o último da rota, é realizado em boa parte dentro do Parque Nacional, em um cenário que inclui vistas para o Vale do Paraíba e para a Serra da Mantiqueira. 

Durante o caminho, no trecho 4, outra grande aventura: a travessia de 3 balsas pelo rio Paraibuna, em uma experiência turística ímpar. 

Toda a Ciclo-Rota no sentido São Bernardo-Bananal conta com a sinalização característica em preto e amarelo, tornando o passeio totalmente autoguiado. 

Quando fazer a Ciclo-Rota da Mata Atlântica? 

Uma das principais recomendações é realizar a travessia sem chuvas fortes. Como o caminho é quase 100% feito por estradas de terra, quando chove muito algumas estradas podem tornar a pedalada impraticável. 

Dá para comparar com a chamada temporada de montanha no Brasil, que vai mais ou menos de abril a outubro. Se quando estiver planejando acontecer uma chuva forte inesperada, a indicação é adiar em pelo menos uma semana a sua viagem. 

Como planejar a viagem para a Ciclo-Rota da Mata Atlântica? 

O site da rota dá muitas indicações de como planejar seu cicloturismo em São Paulo, pela Ciclo-Rota da Mata Atlântica. 

Para conseguir ver trecho a trecho, identificando atrativos, caminhos, municípios e pontos de interesse, este link conta com as 9 rotas principais – basta clicar em cada trecho que você terá acesso a todas as informações. 

Com o conteúdo deste site é possível fazer uma pesquisa completa de que trechos fazer, o que encontrar pelo caminho e outras informações. 

Como trata-se de uma rota recente, ainda não existem operadoras de turismo que realizam passeios e viagens exclusivas para o local. 

Na página oficial da trilha no Instagram você encontra mais informações para auxiliar a planejar – seja para fazer o caminho completo ou para algum dos trechos. 

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