Conheça o Parque Nacional de São Joaquim

Unidade de conservação conta a história da separação da África e da América e preserva uma biodiversidade única

27/05/2026

Otávio Nogueira

Não é exagero dizer que o Parque Nacional de São Joaquim (SC) conta uma parte importante da história. Uma história que vai além do Brasil: estar em uma das unidades de conservação mais antigas do país é vivenciar in loco a história do planeta Terra. 

A beleza, com vasta natureza e biodiversidade abundante, já seria, por si só, motivo suficiente para gerar o desejo de visitá-lo: cânions, montanhas, rochas, trilhas, campos de altitude, rios e cachoeiras colocam o Parque Nacional de São Joaquim entre os locais que devem ser visitados para quem quer conhecer melhor o nosso país. 

Mas é muito, muito além disso. Em abril, com foco no São Joaquim, o projeto Parques Nacionais lançou um novo episódio da série que apresenta os Parques do Brasil – que contou com apoio de divulgação do Instituto Semeia. 

No documentário acima, que está disponível gratuitamente no YouTube, é possível entender a importância do parque  não só para o futuro do planeta – mas também para entender a história e o legado de uma unidade de conservação como esta. 

“É uma unidade de conservação que guarda o testemunho geológico da separação dos continentes, com a formação do oceano Atlântico e a separação da África com a América. Há 400 milhões de anos, antes da separação do que era o continente Gondwana, houve uma atividade vulcânica muito intensa, que deu início ao processo”, explica Luiz Pimenta, geógrafo e educador ambiental. 

Esta aula de geografia é visível a olho nu por quem visita o local, em cânions, rochas e formações geológicas que formam o que hoje é o Parque Nacional de São Joaquim, verdadeiros testemunhos da história. Ou seja: estar no parque é também ver na prática o que aprendemos com a história do passado, vivenciar o presente e entender a importância da conservação para o futuro. 

Passado: paisagens históricas que formam o Parque Nacional de São Joaquim

Fundado em 1961, o Parque Nacional de São Joaquim foi criado especialmente com a função de proteger as matas de araucárias e também as diversas nascentes que nascem nesta parte das serras catarinenses. Ainda hoje essas matas são parte fundamental da experiência de quem visita o local. Mas não tem como fugir: a beleza cênica da unidade de conservação é daquelas de cair o queixo. 

A cerca de 160km de Florianópolis, a capital de Santa Catarina, o São Joaquim é cortado pela Serra Geral e fica entre duas regiões turísticas: a Serra Catarinense e a Encantos do Sul. Não por acaso, está entre outros dois pontos extremamente relevantes do estado: a Serra do Rio do Rastro e a Serra do Corvo Branco. 

“O Parque Nacional de São Joaquim tem um ambiente de montanha que, podemos dizer, às vezes temos as quatro estações do ano em um único dia. Podemos ter nuvens de um lado da montanha e o céu bem azul do outro”, conta Léo Baschirotto, guia e condutor do Parque. 

“São formações monumentais, que tornam a unidade emblemática, de acordo com ambientalistas. O que vemos hoje é resultado de movimentos geológicos e muitas mudanças, com formações da Serra Geral que cruzam o parque de norte a sul”, complementa Paulo Santi da Silva, gestor do São Joaquim.  

A região também conta com outra unidade de conservação: o Parque Estadual da Serra Furada. Em 2016, os limites do parque nacional tiveram uma alteração, sobrepondo-se em 90% a área do parque Serra Furada. 

“Estes morros são testemunhas da história geológica da Terra. A erosão que houve ao longo de milhões de anos expondo as montanhas formou o que vemos hoje. E seja estadual ou nacional, uma unidade de conservação na categoria parque tem os mesmos objetivos: conservação da biodiversidade, apoio à pesquisa científica e uso público”, explica Vanessa Bernardo, coordenadora do Parque Estadual.

A importância do Parque Nacional de São Joaquim para o presente e o futuro 

“No Parque é criada uma proteção para o aquífero Guarani, com uma infinidade de rios importantes. Existe uma peculiaridade, que é a formação dos campos que fazem um efeito esponja: quem recebe a água é a turfeira, que a mantém e faz com que as águas cheguem ao aquífero”. 

A frase de Michel Omena, analista ambiental do Parque Nacional de São Joaquim, por si só mostra a importância do local para a fauna e flora locais – incluindo aí a vida humana, afinal sem água a gente simplesmente não conseguiria estar vivo. 

Foto: Raphael Sombrio

Além de testemunha geológica do planeta Terra como o conhecemos hoje, incluindo a separação da América do Sul e da África, o parque conta ainda com a conservação de nascentes essenciais para a vida silvestre e também nas cidades. 

A preservação da flora particular do local também é marcante no Parque Nacional de São Joaquim. Diversas espécies de xaxins, que formam verdadeiras florestas originais, e as matinhas nebulares resistiram ao longo do tempo e representam mais um dos tesouros da unidade. 

“As matinhas nebulares presentes nas altitudes maiores, nas encostas da serra, têm um aspecto retorcido e são baixinhas, mas também são árvores centenárias. Essa formação entre campos de altitude e matinhas nebulares também auxilia na regulação hídrica, que é importante para a natureza e também para o abastecimento humano”, completa Michel. 

Parque Nacional de São Joaquim: atrativos e atividades 

A visitação ao local é permitida – e completa os três objetivos centrais de uma unidade de conservação que funciona como parque: conservação da biodiversidade, apoio à pesquisa científica e uso público (onde está inclusa a visitação). 

O Parque Nacional de São Joaquim conta com três núcleos principais para turistas. Conheça um pouco mais sobre eles.

Núcleo Morro da Igreja 

É a parte mais conhecida do parque, onde está o principal ícone do local: a Pedra Furada. “Assim como outras partes do parque, ela é um testemunho do que sobrou a partir das erosões. Sistemas de fraturas que condicionam a formação destas  geoformas, como a Pedra Furada”, explica o geógrafo Luiz Pimenta. 

A principal forma de visitação é o Mirante da Pedra Furada: com deque acessível, a partir dele é possível contemplar toda a magnitude de uma vista estonteante – natureza, passado e uma beleza cênica única. 

Para quem está acostumado ao trekking, também é possível fazer a Trilha da Pedra Furada, que dura cerca de 5 horas, com acompanhamento de condutor autorizado. 

Outras duas trilhas podem ser feitas a partir deste núcleo: a Trilha das Nascentes do rio Pelotas, com visuais privilegiados dos cânions na borda da Serra Geral, e a Travessia Morro da Igreja-Santa Bárbara. O que nos leva ao segundo núcleo. 

Núcleo Santa Bárbara

São diversos atrativos a partir deste núcleo:

  • Trilha dos Xaxins Gigantes: de fácil acesso, indicada inclusive para famílias, com belíssimos visuais e muitas espécies da flora local. 
  • Trilha da Cascatinha + Três Quedas: que conta com uma pequena d´água. 
  • Cemitério Histórico: a trilha da Cascatinha passa por áreas de campos, inclusive o famoso Cemitério Histórico. 

Núcleo Rio do Bispo 

É uma parte que conta com trilhas mais rústicas, e em geral mais longa, mas que mantém as mesmas características encontradas em todo o Parque Nacional de São Joaquim: beleza cênica e grande biodiversidade. 

As trilhas mais indicadas são a do Morro Comprido, do Paredão das Abelhas, da Cachoeira Arroio Boca de Serra e do Morro da Cobra. Em todas elas é importante ter grande conhecimento de orientação e navegação – e por isso a contratação de um condutor de turismo é indicada. 

ESFERA ADMINISTRATIVA

Nacional

DATA DE CRIAÇÃO:

06 de julho de 1961

ESTADO:

Santa Catarina

MUNICÍPIOS:

Bom Jardim da Serra, Grão-Pará, Lauro Müller, Orleans e Urubici

BIOMA:

Mata Atlântica

ÁREA TOTAL:

49.800 hectares

INFORMAÇÕES SOBRE A VISITAÇÃO

MAIS INFORMAÇÕES:

O principal acesso para o Parque Nacional de São Joaquim é a cidade de Urubici. A visitação é gratuita e a portaria está aberta diariamente das 8h às 17h. 

Algumas trilhas não têm obrigatoriedade de guias e condutores, mas o Instituto Semeia recomenda que você faça isso: a visita será mais rica, mais segura e com muito mais qualidade. Clique aqui para saber mais a respeito. 

Mesmo sendo gratuito, locais como a visita ao Mirante da Pedra Furada precisam de agendamento obrigatório que pode ser feito neste link

A lista completa de condutores credenciados para a sua vista está neste link.  

Além de testemunha geológica do planeta Terra como o conhecemos hoje, incluindo a separação da América do Sul e da África, o parque conta com a conservação de nascentes essenciais para a vida silvestre e também nas cidades.

Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades!

Rua Amauri, 255, 9º andar
Jardim Europa, São Paulo – SP
CEP: 01448-000
+55 11 5180.0260
© Instituto Semeia – Todos os direitos reservados – Site por NaçãoDesign, com referências ao projeto de Tati Valiengo e Tiago Solha Design Gráfico