Conheça o Parque Estadual do Jalapão

Visitar o parque é conhecer fervedouros, rios, dunas e cachoeiras, mas é também vivenciar o modo de vida local

15/10/2026

Foto: Cerrado Rupestre

Nem todo o Jalapão é parque, mas é inevitável dizer que o turismo na região se tornou o que é hoje muito por conta da criação do Parque Estadual do Jalapão, em 2001. Se fica claro mesmo para quem nunca visitou que a beleza abundante do local é parte fundamental disso, outro aspecto também é crucial: a essência das pessoas jalapoeiras. 

Em meio a águas cristalinas e uma vegetação de Cerrado marcante está a história de mais de 200 anos de comunidades quilombolas no Tocantins, no coração do Brasil – três delas dentro da área do parque (Boa Esperança, Carrapato e Mumbuca). É essa combinação entre natureza e vivência humana que faz do Parque Estadual do Jalapão um lugar que merece ser conhecido. 

“O Jalapão é um lugar único, não só pelas belezas mas pelas pessoas que têm aqui, que acima de tudo cuidam e são guardiãs tanto da cultura quanto da natureza. Ser jalapoeira é pertencer a um lugar único no mundo, ter orgulho da minha terra, do meu povo e mostrar isso para as outras pessoas. Ser do Jalapão é isso”, explica Ilana Cardoso, nascida no quilombo Mumbuca e empreendedora no turismo de base comunitária. 

Diferentemente do que acontecia no passado, atualmente as atividades turísticas pela região do Jalapão passam por decisões e pela prestação de serviços de pessoas da comunidade local. Para entender melhor as relações entre o turismo e as comunidades tradicionais, este link conta essa história. 

“Vir ao Jalapão e não viver as comunidades é como não fazer uma visita completa. Tenho sentido que cada vez mais as pessoas vem vivenciar e experimentar as coisas, para além de tirar uma foto bonita na escadinha do fervedouro”, pondera a bióloga Rejane Ferreira, que assumiu a gestão do Parque Estadual do Jalapão em 2025, mas desde 2015 é gestora também da APA (Área de Proteção Ambiental) do Jalapão. 

Se a região do Jalapão é um paraíso, como muitas pessoas se referem ao local após o conhecerem, muito disso tem a ver com as comunidades que preservaram a região ao longo dos séculos. Com a criação do Parque (veja mais abaixo) e a participação cada vez mais ativa dos moradores, a conservação foi amplificada, auxiliando na manutenção das belezas naturais que tanto impressionam visitantes. 

Foto: Cléber Vinicius Demori

Por que o Parque Estadual do Jalapão é especial?

Não é tarefa fácil explicar o que faz do Jalapão um lugar tão especial. Fotos e vídeos podem mostrar um pouco do que ele é, mas é uma combinação riquíssima, e até inusitada, de monumentos naturais que transforma essa área em algo único. Das coisas que olhamos e pensamos “só o Brasil pode ter algo assim”. 

Repleto de dunas douradas, que podem facilmente serem chamadas de deserto, a região do Parque Estadual do Jalapão é extremamente rica em águas cristalinas: cachoeiras de cinema, praias de água doce e os famosos fervedouros. São 28 fervedouros em todo o Jalapão, a maior parte deles dentro do parque. 

Toda essa magnitude tem mais um ponto que torna o Jalapão especial. O rio Novo, que vai de leste a oeste do Parque Estadual e é considerado um dos maiores rios com água potável do mundo e que tem atividades como flutuação e rafting, por exemplo. 

Outra riqueza da região é o capim-dourado, que além da beleza intrínseca à natureza jalapoeira é vastamente utilizado no artesanato local. Uma curiosidade: apesar do nome, ele não é exatamente um capim, mas parte das famosas sempre-vivas, tão presentes no Cerrado brasileiro. 

“Gosto muito dos rios que banham a comunidade, mas os campos de capim-dourado são especiais. Passo três, quatro dias com os turistas nas veredas, desconectando de outras coisas do mundo, mas se conectando com a natureza e com o nosso povo. Essa sabedoria é muito boa”, lembra Ilana. 

A importância da biodiversidade local vai muito além de fotos bonitas. Desde 2016 a região faz parte do Mosaico Jalapão, que reúne 10 unidades de conservação nos estados do Tocantins e da Bahia, somando mais de 3 milhões de hectares de áreas de Cerrado protegidas. 

“Queremos um turismo de dentro para fora e que seja feito de experiências reais: das pessoas virem, conhecerem os atrativos e também vivenciarem o modo de vida. As comunidades são as protagonistas, e essa troca de experiências é riquíssima para elas e também para os visitantes”, explica Rejane, gestora do Parque do Jalapão. 

O que fazer no Parque Estadual do Jalapão? 

O que não falta é coisa para fazer no Parque Estadual do Jalapão – e também nos arredores, seja em unidades de conservação ou mesmo nos caminhos entre os atrativos. Entre caminhadas, cachoeiras, fervedouros, rios, dunas e praias de água doce, a região é privilegiada com paisagens inesquecíveis e com uma gastronomia rica, cada vez mais reconhecida. 

 “Sou apaixonado pelo Cerrado desde pequeno. Meu pai e minha mãe sempre me ensinaram a cuidar da natureza, a usar as plantas e as frutas do Cerrado. A primeira vez que fui foi em 99, em um pedal com amigos. Desde então conheci as comunidades, vi a quantidade de coisas na região e senti vontade de trabalhar ali”, conta Vanderley Borges, da agência de turismo Cerrado Rupestre. 

Foto: Rodrigo José Fernandes

Nascido em Tocantins quando o estado ainda era parte de Goiás, ele também conheceu a região do Parque Estadual do Jalapão ainda antes do local ser uma unidade de conservação. A agência dele foi uma das primeiras a trabalhar com caminhadas e trilhas mais imersivas no Jalapão, justamente para estar mais próximo da vivência local. 

“Quando você faz tudo só de carro 4X4, acaba não conhecendo boa parte do que é o Jalapão. As caminhadas dentro do Parque envolvem as comunidades e as paisagens belíssimas de uma forma diferente”, conta Vanderley. 

As caminhadas e trilhas por dentro do Parque Estadual do Jalapão conectam a natureza e os moradores locais, unindo os dois pontos mais marcantes da identidade regional desta parte do Tocantins. 

“A sabedoria local é muito rica e essa é uma parte muito especial para mim. E uma parte que pertence a esse território. Como jalapoeira, quero ajudar a minha comunidade e as pessoas que visitam através do turismo sustentável”, concorda Ilana, da Pousada e Restaurante Mumbuca. 

Parque Estadual do Jalapão: atrativos e atividades

Apenas dentro do Parque Estadual do Jalapão são 21 atrativos, além das trilhas que são parte integrante da vivência na unidade de conservação. 

Abaixo fazemos uma lista com alguns dos principais passeios dentro do Parque: 

Circuito de fervedouros: são cerca de 20 dentro da área do Parque Estadual, relativamente próximos entre si. E o que pode parecer magia para quem não conhece, já que é impossível conseguir afundar nesses fluxos de água – graças ao fenômeno de ressurgência no aquífero Urucuia, que ocorre nessas nascentes subterrâneas. Grande parte dos fervedouros está na estrada TO-110, entre Mateiros e São Félix do Tocantins. Os fervedouros têm ingressos individuais, com valores que partem de 20 reais. 

Dunas do Jalapão: além dos fervedouros, é um dos principais cartões-postais do Parque Estadual do Jalapão. Primeiro pela imponência, já que algumas dunas chegam a 40m de altura. Formada na Serra do Espírito Santo, ela parece um deserto margeando com a vegetação do Cerrado. Um dos pontos mais altos é o fim de tarde, com o pôr do sol que pode ser considerado inesquecível mesclando as cores do céu e os tons que vêm da areia. Embora não seja cobrado ingresso, a entrada é permitida apenas com guias e condutores. 

Foto: Amanda Santiago

Cachoeira da Velha: maior cachoeira da região, ela impressiona pela largura que chega a 100m e pelo volume de água. É um local de contemplação, já que a força da água não favorece o mergulho no local. O caminho até ela, passando por uma passarela, já é parte da atração, com belas vistas do Cerrado. 

Prainha do Rio Novo: bem próxima à Cachoeira da Velha, ela é outro ponto que merece destaque no Parque Estadual do Jalapão. Com águas calmas em boa parte dela, é um ótimo lugar para aproveitar as famosas águas do local. 

Trilhas e caminhadas: são diversas opções de trilhas pelo parque, indo de caminhadas curtas até as chamadas Travessias Jalapoeiras, concebidas pela Cerrado Rupestre. “Desenvolvemos muitas trilhas que cortam caminhos pelo Parque, algumas delas em parceria com guias locais. É uma forma única de conhecer a região”, aponta Vanderley. 

No quilombo Mumbuca também existem atividades de trilhas – que, assim como as outras, incluem diversas paradas para banho. 

Outras atividades: contemplar a natureza e, inclusive, praticar atividades mais aventureiras como rafting no rio Novo são outras formas de conhecer o Parque Estadual do Jalapão. 

ESFERA ADMINISTRATIVA

Estadual

DATA DE CRIAÇÃO:

12 de janeiro de 2001

ESTADO:

Tocantins

MUNICÍPIOS:

Mateiros

BIOMA:

Cerrado

ÁREA TOTAL:

158.885 hectares

INFORMAÇÕES SOBRE A VISITAÇÃO

MAIS INFORMAÇÕES:

Embora toda a área do Parque Estadual do Jalapão esteja dentro do município de Mateiros, grande parte dos atrativos está relativamente distante entre si. Então, uma das dicas principais para visitar a região é ir sem pressa e aproveitar cada momento. 

“É um turismo lindo, mais devagar, de poder experimentar e sentir a vida aqui. É isso que combina com o Jalapão”, recomenda Rejane, a gestora da unidade de conservação.

Neste contexto, reservar de 6 a 7 dias inteiros para conhecer o Parque Estadual do Jalapão e arredores é uma boa pedida.

Para chegar, o principal ponto de partida é Palmas, capital do estado. O aeroporto da cidade está a cerca de 250 km da entrada do parque (mais ou menos 4h de viagem de carro). O caminho até o Parque já tem atrativos por si só, e deve ser aproveitado como tal.

É possível alugar um carro particular, agendar um carro com motorista com agências ou mesmo ir até o Jalapão com vans regularizadas. Como as estradas são de terra e areia, carros 4X4 são praticamente uma obrigação – e como o sinal de GPS nem sempre funciona, o recomendado é a contratação de guias e condutores profissionais e capacitados.

A entrada no Parque Estadual do Jalapão não tem cobrança de ingresso, mas em locais como as Dunas e a Cachoeira da Velha a entrada só é permitida com guias e condutores. Fervedouros e outros atrativos particulares têm cobranças de ingresso específicas.

Em relação à hospedagem, a cidade de Mateiros tem prolífica cerca de 500 leitos, com opções que vão de pousadas a campings. Outra ótima opção é a oportunidade de dormir dentro da área do Parque, em hospedagens de turismo de base comunitária dentro da comunidade quilombola de Mumbuca, por exemplo.

 

As caminhadas e trilhas por dentro do Parque Estadual do Jalapão conectam a natureza e os moradores locais, unindo os dois pontos mais marcantes da identidade regional desta parte do Tocantins.

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