Conheça o Parque Estadual de Terra Ronca

Localizada no interior de Goiás, unidade de conservação é uma combinação de belezas naturais e valorização da comunidade

23/02/2026

Caio Ribeiro

Um dos maiores tesouros espeleológicos das Américas, imerso na imensidão do Cerrado brasileiro. É neste ambiente que está localizado o Parque Estadual de Terra Ronca/GO, com quase 300 cavernas e um verdadeiro mundo subterrâneo – além de toda a exuberância do segundo maior bioma brasileiro. 

Reconhecido nacional e internacionalmente pela beleza de suas cavernas, o parque está entre os favoritos de quem procura de uma das atividades que mais estão em alta no Brasil: o turismo espeleológico

O Parque Estadual de Terra Ronca, porém, tem muito a oferecer além de grutas, cavernas e afins. A região que antes tinha como foco principal atividades como extrativismo e agropecuária, na Serra Geral de Goiás, se destaca hoje no ecoturismo. Com águas cristalinas, praias de água doce, bóia cross, cicloturismo e trilhas de longo curso, a unidade de conservação é um prato cheio para pessoas que querem ampliar o contato com a natureza. 

“Hoje, o Parque de Terra Ronca é muito procurado por quem busca um turismo de experiência real. Além dessa conexão com a natureza, fortalecemos a atividade turística sempre pensando no desenvolvimento sustentável da região. O turismo é um grande vetor de desenvolvimento e de geração de renda”, conta Wesley Andrade, coordenador do Parque Estadual de Terra Ronca há 6 anos. Cercado por um grande complexo de veredas e com diversos morros que proporcionam mirantes inesquecíveis do Cerrado conservado, é um parque que tem colocado em prática o ciclo virtuoso da conservação: integrando visitação, geração de renda e conservação. 

Salão da Floresta Branca | Foto: José Humberto Matias de Paula

A riqueza espeleológica do parque

A existência de cavernas não é algo que surge de um dia para o outro, muito pelo contrário. No caso do Parque Estadual de Terra Ronca, estudos estimam que o universo subterrâneo da região foi moldado por algo em torno de 600 milhões de anos. 

Como é comum em boa parte das unidades de conservação brasileiras, o objetivo do espaço foi se alterando com o tempo. Quando começou o uso público, nos anos 90, a visitação foi se ampliando. E aí surge a história de que falamos sempre: mais pessoas visitam, a cadeia de turismo local se desenvolve, mais pessoas têm o desejo de conhecer. 

Um dos principais impulsionadores desta vontade de visitar a Terra Ronca, é claro, são as belezas naturais. As fascinantes cavernas formam uma verdadeira riqueza espeleológica brasileira e contam até com algumas cachoeiras subterrâneas. 

A presença de mananciais de água é, inclusive, um dos grandes diferenciais do parque. 

“São estes mananciais que mantêm nossas cavernas vivas. Costumamos dizer que uma caverna viva é uma caverna molhada, e é graças a estas águas que a conservação é colocada em prática”, explica Wesley. 

A preservação dos mananciais, da flora e da fauna fazem parte do objetivo central da criação do Parque Estadual de Terra Ronca, no ano de 1989. São as águas que vêm dele que fornecem abastecimento para os rios São Vicente, São João e da Lapa. Foi a ação de rios como estes que contribuíram para a formação do complexo de cavernas onde está localizada a unidade de conservação. 

A abundância das formações impressionam com estalactites, estalagmites e espeleotemas diversos que formam um verdadeiro mundo abaixo da terra.

Caverna São Matheus | Erickson Lima dos Santos

A valorização das pessoas por meio do Parque Estadual de Terra Ronca 

“O Parque Estadual de Terra Ronca é um impulsionador não só do turismo, mas do desenvolvimento socioeconômico sustentável da região da Serra Geral de Goiás”. 

A frase de Wesley Andrade dá uma boa ideia da importância que a unidade de conservação tem para as comunidades locais. Ano a ano, a relação entre comunidade e parque têm avançado com a construção de um turismo de base comunitária, que conta com a participação ativa de moradores locais, e de diversas outras formas de geração de renda e trabalho.

Uma das pessoas que vive essa realidade é Rivaldo Vieira de Souza, nascido e criado no Povoado de São João, no entorno do Parque Estadual de Terra Ronca. Atuando há 15 anos como condutor de turismo local, ele também trabalha como operacional dentro da unidade de conservação – e explica na prática o que é o Ciclo Virtuoso da Conservação.   

“Esse parque foi a melhor coisa que aconteceu no município de São Domingos. Além de proteger as cavernas, as veredas e as belezas cênicas, ele é uma fonte de renda para toda a comunidade”, explica Rivaldo. 

“Mesmo quem não é condutor, trabalha em outras áreas como a brigada de incêndio, como monitor, servindo refeições. O turismo só cresce em Terra Ronca, o que tem sido ótimo para todos. Como condutor, aos finais de semana e feriados, eu acabo ganhando mais do que como funcionário comissionado do estado”, completa. 

Entre as iniciativas regionais, uma que se destaca é o Coletivo das Mulheres da Sociobiodiversidade, formado por mulheres ribeirinhas, quilombolas e indígenas do Povoado São João. Além de atuarem coletivamente no entorno do parque, elas realizam feiras, eventos e vendem produtos para turistas e moradores. 

Outro trabalho efetivo, realizado em parceria com a Semad/GO (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) é a capacitação de condutores e guias locais. Além de cursos e treinamentos, os condutores também realizaram intercâmbios em outras unidades de conservação, ampliando a consciência e as oportunidades de ação. 

“A condução é um grande vetor de geração de renda. Quando os condutores se viram recebendo uma renda equivalente à de pessoas que estão no primeiro escalão da prefeitura, isso gerou uma percepção de valorização muito grande”, lembra Wesley. 

“Eles viram o valor que eles têm para a comunidade e para os turistas, atuando como condutores de turismo na cidade em que nasceram. Isso gera um pertencimento e um sentimento de valorização muito importante para as pessoas”, complementa.

Caverna São Bernardo | Foto: Gisele Ramones

Parque Estadual de Terra Ronca: atrativos e atividades 

O grande destaque são, claro, as cavernas, lapas e grutas. É importante lembrar que a visitação ao Parque Estadual de Terra Ronca não tem obrigatoriedade de condutores. Já a entrada nas cavernas, sim, é autorizada apenas com a presença de condutores locais. 

De acordo com Wesley, 13 cavernas têm plano de manejo espeleológico desenvolvido, mas apenas 5 delas estão abertas para visitação. São as seguintes: 

  • Caverna Terra Ronca 1: a que dá nome ao parque, é também a mais procurada por turistas. Ampla e com 96m de altura, conta com salões repletos de estalagmites e estalactites, com uma beleza que impressiona. 
  • Caverna Terra Ronca 2: parte do mesmo complexo da primeira, é possível chegar a ela depois de atravessar o vale do rio Lapa. Ela permite um visual único, entre os meses de junho e agosto, quando um feixe de luz cria um cenário de tirar o fôlego com um raio azul. 
  • Caverna Angélica: considerada uma das mais bonitas do Brasil, é uma caverna extremamente cênica. Possui salões que se complementam com águas cristalinas em tons de verde e azul, formando um cenário paradisíaco e absolutamente inesquecível. 
  • Caverna São Bernardo: próxima à cachoeira São Bernardo, ela conta com um local chamado Salão das Pérolas, totalmente esculpido pelas águas do Cerrado. Para chegar até ela é necessário passar por diversas travessias dos rios – e dentro dela está o encontro dos rios São Bernardo e Palmeira, que é impactante. 
  • Caverna São Mateus: ornamentada com colunas e formações de diversas colorações, tem dois salões que chamam a atenção, o dos Pássaros e o 700. 

Em diversos textos encontrados na internet existe a informação de que a Caverna São Vicente está aberta à visitação, mas o dado é incorreto: ela está fechada, e só pode ser visitada com autorização expressa. Dentre tudo o que tem para visitação, o Parque Estadual de Terra Ronca possui outras atividades possíveis além das cavernas. Veja alguns deles:  

  • Bóia cross: nas águas cristalinas do rio São Vicente funciona uma descida em meio ao parque. Literalmente um banho de Cerrado.  
  • Balneários de água doce: duas prainhas, muito frequentadas por visitantes, o balneário do São Vicente e o balneário do São Bernardo. Uma experiência diferente no coração do Brasil. 
  • Observação de aves: o chamado birdwatching é uma atividade que pode ser feita em qualquer ambiente natural. Segundo Wesley, no Parque Estadual de Terra Ronca é um tipo de visitação que tem crescido muito nos últimos meses. 
  • Cicloturismo: outra atividade que vem crescendo no parque. Em 2026 foi inaugurada uma ciclovia com 38km, que vai desde a cidade de Guarani de Goiás até praticamente a caverna Terra Ronca, sempre acompanhando a rodovia GO-108, que deve ampliar o número de cicloturistas frequentando a região.
ESFERA ADMINISTRATIVA

Estadual

DATA DE CRIAÇÃO:

7 de julho de 1989

ESTADO:

Goiás

MUNICÍPIOS:

Guarani de Goiás e São Domingos

BIOMA:

Cerrado

ÁREA TOTAL:

57 mil hectares

INFORMAÇÕES SOBRE A VISITAÇÃO

MAIS INFORMAÇÕES:

O Terra Ronca está a cerca de 400km do Aeroporto Internacional de Brasília, o mais próximo do local. O município de São Domingos e o Povoado São João são os melhores locais para encontrar pousadas e hospedagens. 

Está aberto diariamente para visitação, das 8h às 17h. É sempre bom lembrar que é obrigatório o acompanhamento de um condutor habilitado. A Semad/GO desenvolveu um site completo para o parque, que em breve contará com informações sobre a contratação de condutores. 

O Terra Ronca revela um universo subterrâneo moldado ao longo de cerca de 600 milhões de anos, além de paisagens marcadas por veredas, morros e águas cristalinas.

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