Trilha no Rio Grande do Sul: conheça os Caminhos do Pampa

Na fronteira com o Uruguai, a trilha tem 360 km entre caminhada, ciclismo, caiaque e cavalgada

06/10/2026

Foto: Fayson Merege

Quantos são os Caminhos do Pampa? Um dos seis biomas brasileiros, localizado integralmente no Rio Grande do Sul, o Pampa é marcado por uma vegetação campestre destacada, por vezes parecida com as savanas africanas e, em grande parte do ano, com temperaturas amenas. Desde 2026, pode-se dizer que o bioma ganhou trajetos e percursos para todos os gostos: com 360 km, a trilha de longo curso Caminhos do Pampa tem trechos que podem ser percorridos a pé, de bicicleta, de caiaque e até a cavalo. 

A nova formatação desta trilha no Rio Grande do Sul fez parte de uma reestruturação do roteiro, que foi desenvolvida pelo Instituto Pró Pampa com apoio do GEF Áreas Terrestres e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). 

Quase na divisa com o Uruguai, e conectando as cidades de Alegrete, Quaraí, Rosário do Sul e Sant’Ana do Livramento, as paisagens do roteiro incluem a beleza do Pampa, a cultura da região de fronteira e um forte poder de conservação do bioma. 

Um dos pontos interessantes é que o projeto foi responsável, inclusive, pela mudança de nome: o que era Caminho do Pampa se transformou em Caminhos do Pampa – que faz parte da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso. 

“Quando começamos o projeto, vimos no mapa que existiam dois caminhos: uma rota principal e uma rota alternativa. Conforme fomos avançando, na construção da governança e na vocação da trilha, as pessoas já estavam chamando de Caminhos. Porque já não era mais apenas uma rota, mas várias”, lembra Angelice Motter, turismóloga e coordenadora do projeto de reestruturação. 

“A mudança do nome veio de forma orgânica, das pessoas que são do território. E como são diversos Caminhos do Pampa, fez todo sentido”, complementa. 

Por onde passam os Caminhos do Pampa?

Os Caminhos do Pampa são muito mais do que uma trilha no Rio Grande do Sul: são uma verdadeira imersão na cultura local, a identidade campeira, tendo como testemunha a belíssima paisagem característica da região. 

Seja qual for o modal escolhido, percorrer as trilhas em uma área protegida do Pampa é conhecer um pouco mais do Brasil. De visuais marcantes, passando por milhares de espécies de plantas e mais de 800 espécies da fauna local, as rotas são um convite para admirar a magnitude do Brasil em um local conservado pela APA (Área de Proteção Ambiental) do Ibirapuitã. 

O Pampa é um bioma conhecido por uma vegetação campestre, de porte menor, com uma geografia predominantemente mais plana ou com ondulações suaves. Para viver de perto essas características marcantes, a trilha é uma excelente opção. 

Foto: Fayson Merege

“A diversidade da paisagem foi das coisas que mais me marcou durante a travessia. Uma hora tu estás em um campo rasteiro, logo depois já tem uma vegetação com mais de 1,5m de altura. E ainda tem os cerros, belíssimos, em que tu consegues ter essa noção de horizonte, além de diversas elevações pelo trajeto. As pessoas pensam que é uma caminhada fácil, com tudo plano, mas não é bem assim”, relembra Angelice.  

Para além da diversidade natural, fazer trechos desta trilha no Rio Grande do Sul passa pela forte cultura campeira local, incluindo uma comunidade quilombola. Os Caminhos do Pampa passam por cerca de 20 propriedades particulares. Em praticamente todas elas existem pontos de apoio para os trilheiros, nem todas com hospedagem e alimentação, mas com espaço para descanso e banheiro. 

 Os municípios que fazem parte da trilha têm ainda outros atrativos naturais no entorno das rotas que chamam a atenção – como por exemplo o Cerro do Jarau, em Quaraí, e a recém-descoberta pegada de dinossauro em Rosário do Sul. Neste link você pode conhecer um pouco mais dos atrativos de cada cidade. 

Como fazer os Caminhos do Pampa: a pé, de bicicleta, a cavalo ou de caiaque? 

O desenvolvimento dos Caminhos do Pampa passa pela ideia de ser o mais diverso possível. Na prática, isso significa que, além de escolher como fazer, as pessoas podem decidir fazer a trilha inteira ou apenas um trecho – dependendo do tempo disponível. 

“É possível viver o Pampa de várias formas, no ritmo de cada turista. Pode ser a trilha completa, que pode levar uma semana, até um roteiro de dois dias, para vivenciar um pouco do turismo rural ou fazer uma trilha mais curta”, explica Angelice. 

Um dos motivos para isso é que os caminhos, como o próprio nome diz, são vários, com diferentes estradas. É possível, inclusive, chegar de carro a um local específico e só fazer um trecho da trilha, seja a pé, de bicicleta ou a cavalo. 

“Mapeamos uma rota específica para caminhada, que passa pelos campos nativos. E outra basicamente em estradas vicinais, recomendada para cicloturismo”, completa. 

Em todos os trechos existe a sinalização específica, utilizando a identidade das pegadas amarelas e pretas da Rede de Trilhas. Em geral, cada um dos modais é feito de maneira individual:

  • Caminhada: conta com cerca de 62 km no total, divididos em cinco trechos. A indicação é fazer cada trecho em um dia, porque dessa forma cada um deles se encerra em um ponto de apoio com hospedagem. É uma forma mais contemplativa de se conectar com as paisagens únicas do Pampa, em uma trilha no Rio Grande do Sul com visuais singulares. 
  • Cicloturismo: são cerca de 172 km, que somam cerca de 17 horas de pedalada (a depender do nível do ciclista). É um tradicional mountain bike, combinando estradões com subidas e descidas típicas da modalidade. Ao todo, são mais de 2 mil metros de ganho durante o pedal – quase sempre nos territórios da APA do Ibirapuitã. 
  • Caiaque: são 52 km descendo o rio Ibirapuitã em caiaque, permitindo um visual único das matas ciliares – além da aventura, é claro. Em geral é um rio tranquilo, mas que conta com corredeiras mais exigentes (níveis I e II). 
  • Cavalgada: uma das formas mais tradicionais da cultura campeira, percorrer os Caminhos do Pampa a cavalo permite uma conexão única. Diferentemente dos outros modais, a cavalgada não tem um caminho fixo: isso pode ser combinado com os prestadores de serviço locais que oferecem a experiência. 
Foto: Daniel Gobbi

Entretanto, também é possível combinar a caminhada com o caiaque, por exemplo – caminhando até o rio, fazer um trecho pelas águas e depois continuar a caminhada. Para conhecer melhor cada trecho, o site oficial dos Caminhos do Pampa explica detalhadamente. 

Seja qual for o modal escolhido, é importante lembrar que um dos principais desafios de trilhas pelo Pampa são os passos, ou seja, as travessias naturais em leitos de rio sem ponte. 

“Dependendo da época, tu não consegues cruzar alguns trechos da trilha, porque elas passam pelo rio. Então, nesses casos, a combinação da caminhada com caiaque pode ser uma ótima opção”, lembra Angelice. 

Informações de Visitação

Como chegar à região?

Para quem está fora do Rio Grande do Sul, o Aeroporto Internacional de Porto Alegre é a principal porta de entrada. Ele está a cerca de 490 km tanto de Alegre quanto de Sant’Ana do Livramento, que são as principais portas de entrada para as trilhas. 

O acesso pode ser feito tanto de carro quanto de transporte rodoviário, já que existem empresas de ônibus que fazem essa rota.

Como planejar a viagem para os Caminhos do Pampa?

O site da rota traz informações bastante completas sobre como organizar a sua viagem por esta trilha no Rio Grande do Sul. 

Um dos principais produtos é o Guia do Visitante, que está neste link e pode ser baixado diretamente para o seu aparelho. 

Para encontrar prestadores de serviço locais, como hospedagem, alimentação, transporte e agências de viagens (como a Bina Tur, a primeira a desenvolver pacotes específicos), o site também conta com informações completas.  

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