Conheça o Parque Nacional do Jaú

Árvores grandiosas, rios espelhados, biodiversidade vasta e uma comunidade ativa fazem deste um parque ímpar

22/01/2026

Antonio Villela

Experiência transformadora. Grandiosidade impressionante. Conexão profunda com a natureza. Estas são algumas das expressões ouvidas com frequência quando conversamos com pessoas que visitaram o Parque Nacional do Jaú/AM, o segundo maior da categoria no Brasil, com mais de 2 milhões de hectares. 

O tamanho, por si só, já colocaria esta como uma unidade de conservação a ser visitada no Brasil. Mas o Jaú ainda reserva muito mais. Dono de uma biodiversidade absolutamente superlativa, o parque é responsável por proteger uma das maiores áreas de florestas úmidas no mundo. 

Localizado no coração da Amazônia, a cerca de 3 horas de lancha da cidade de Novo Airão, o Parque Nacional do Jaú faz parte do Mosaico do Baixo Rio Negro, que abrange 11 unidades de conservação do estado do Amazonas. A existência do Mosaico, inclusive, é representativa por envolver um dos grandes tesouros do Jaú: o envolvimento das comunidades locais em todos os processos, algo fundamental para a valorização da diversidade sociocultural e o desenvolvimento territorial. 

“Depois de visitar o parque, ficou claro para mim que a Amazônia não é  “apenas” o pulmão do mundo. É a vida como um todo: são as pessoas, culturas e saberes que existem e resistem ali”, explicou Iago Batista, analista de comunicação do Instituto Semeia, que fez uma expedição no local em dezembro de 2025. 

Atualmente, cerca de 70 famílias vivem nas comunidades do Parque Nacional do Jaú – e são parte fundamental para que a visitação da unidade aconteça de maneira sustentável e regular, desde os barqueiros até a hospedagem. 

Foto: Iago Batista

Parque Nacional do Jaú: a grandiosidade da Amazônia conservada

Árvores históricas gigantes, bacia hidrográfica do rio Jaú protegida e uma biodiversidade extremamente rica, habitat de diversos animais. O Parque Nacional do Jaú tem tudo isso. Já na chegada, feita normalmente de barco, não é incomum que o visitante seja acompanhado por bandos de papagaios e outras aves enquanto navega pelos igapós. 

Uma das particularidades do Jaú é a possibilidade de encontrar duas “Amazônias” diferentes: uma no período de cheia (normalmente de março a agosto) e outra no período de seca (entre setembro e fevereiro). O local é o mesmo, mas a mudança no clima muda a realidade. Enquanto na cheia as trilhas aquáticas são o ponto alto, na seca é possível visitar as praias e avistar os petróglifos, parte do rico patrimônio arqueológico do parque. 

Petróglifos | Foto: Iago Batista

“É impossível não se impressionar com a grandeza do Jaú. Grandeza em beleza e em história: um lugar onde confluem inúmeras histórias. Cada rocha, cada árvore, cada corpo, cada água, cada vida que aconteceu e que acontece aqui conta uma história única”, comenta a colombiana Viviana Pinilla, bióloga que atua no monitoramento de quelônios dentro do parque (veja mais neste texto). 

A história a que Viviana se refere pode ser explicada com as formações geológicas do local, sobre o que não é possível ser visto a olho nu. Para além da imensidão natural do Parque Nacional do Jaú, toda a área está localizada sobre sedimentos e minerais que podem ter até 500 milhões de anos. 

Já o que é possível ser visto a olho nu – e uma das visões mais impressionantes da unidade de conservação – são os chamados rios espelhados. Tanto no rio Jaú, que dá nome ao parque, quanto os rios Carabinani, Unini e Panini apresentam um espetáculo natural de encher os olhos: o espelhamento perfeito das paisagens com as águas negras amazônicas, seja com o reflexo das florestas ou do céu, azul ou com estrelas. 

Foto: Viviana Pinilla/Arquivo pessoal

“Todo mundo deveria visitar e viver esse tipo de experiência pelo menos uma vez na vida. É um parque ideal para quem quer entender, na prática, a importância da Amazônia e das áreas protegidas para o futuro do planeta. É transformador”, relembra Iago. 

“Um misto de encantamento, respeito e gratidão por poder estar em um lugar tão conservado. Dá uma sensação de pequenez diante da natureza, mas ao mesmo tempo de conexão profunda com algo essencial”, complementa ele.

A importância da conversação para a biodiversidade 

Uma das mais importantes funções de uma unidade de conservação como o Parque Nacional do Jaú é conciliar e integrar a conservação da natureza e a recreação/ecoturismo para as pessoas. As pesquisas também fazem parte deste contexto. Uma delas dentro do Jaú é o Programa de Monitoramento de Quelônios de Água Doce, uma parceria do ICMBio com a WCS Brasil, e que tem o apoio de diversas organizações. 

Com mais de uma década de existência, o projeto conta com um forte vínculo com as comunidades locais. Afinal de contas, a utilização de quelônios (tartarugas, jabutis e afins) como alimento é algo comum historicamente na região. 

“Além de conservar a vida e a existência dos quelônios, um dos objetivos do programa é equilibrar a conservação com o consumo sustentável deles pelas pessoas locais: manter as populações de quelônios estáveis e garantir a segurança alimentar das comunidades”, explica a bióloga Viviana Pinilla. 

Quelônios | Foto: Viviana Pinilla/Arquivo pessoal

Como parte de todo o processo, o Programa de Monitoramento promove o monitoramento comunitário com participação ativa das famílias que vivem no Parque Nacional do Jaú. O sistema conta com cursos e treinamentos para monitores locais, incluindo acompanhamento de toda a temporada reprodutiva dos quelônios – da desova à soltura. 

“São animais milenares, que já caminhavam nesta terra antes mesmo dos dinossauros”, lembra Viviana. “Do ponto de vista ecológico, os quelônios são fundamentais, porque dispersam sementes, trocam nutrientes como uma ponte perfeita entre a vida aquática e a vida terrestre. Ao mesmo tempo, são muito importantes para a soberania alimentar de muitos povos indígenas e de comunidades ribeirinhas”, complementa. 

Os quelônios são um dos grupos de vertebrados mais ameaçados do mundo. De acordo com dados do Programa de Monitoramento, cerca de 54% das espécies classificadas se enquadram em alguma categoria de ameaça.

Parque Nacional do Jaú: atrativos e atividades 

Estar na Amazônia, por si só, já faz uma viagem valer a pena. Por isso, vale a pena se organizar e fazer uma viagem para conhecer este bioma tão rico, vasto e, em boa parte, brasileiro. 

Viver o Parque Nacional do Jaú é passear pela floresta amazônica, seja por via terrestre ou por via aquática. Não por acaso o local é parte dos Caminhos do Rio Negro, que conta com pelo menos 630km de trilhas mapeadas, seja para serem feitas a pé ou por caiaques nos igapós. 

Durante os passeios pela imensidão do Parque Nacional do Jaú, são diversas as possibilidades de encontros que vão fazer qualquer visitante ficar de boca aberta. Veja aqui algumas delas. 

  • Observação da vida silvestre e contemplação da natureza: como o filme “Dias Perfeitos” nos ensina, o termo em japonês komorebi é a luz do sol filtrada pelas folhas das árvores, enquanto balançam contra o vento. Isso pode ser multiplicado pela milésima potência no Parque do Jaú. “O céu completamente estrelado é difícil de esquecer”, lembra Iago Batista. 
  • A imensidão das árvores: de uma magnitude raras vezes vista, as árvores gigantescas da Amazônia se fazem presentes no Jaú. Das magistrais samaúmas até as milenares macacarecuias, que recentemente foram apontadas como as mais antigas do bioma, as possibilidades de encontro com árvores majestosas são inúmeras. 
  • As praias na área do rio Negro: passeio específico para a época das secas, as praias de areia branca e água doce são uma das maravilhas do Parque Nacional do Jaú. Um convite para o relaxamento, com banhos memoráveis nas águas do rio Negro. “As gigantescas praias de areia branca são inesquecíveis”, afirma Viviana Pinilla. 
  • Banho e cachoeiras nos rios Jaú e Carabinani: também ideal para a época de secas. O rio Carabinani é local de diversas pequenas corredeiras e cachoeiras, perfeitas para banho e contemplação. 
  • Trilhas a pé ou de caiaque: como citamos anteriormente neste mesmo texto, os Caminhos do Rio Negro oferecem diversas oportunidades de trilhas. Entre as trilhas terrestres, destacam-se a trilha do Itaubal, com cerca de 3,5km de extensão, e a trilha dos Igapós do Carabinani, com cerca de 3km, e duas trilhas que levam a contato com árvores gigantes: a da Sumaúma da Enseada e a Sumaúma de Base. 
ESFERA ADMINISTRATIVA

Federal

DATA DE CRIAÇÃO:

24 de setembro de 1980

ESTADO:

Amazonas

MUNICÍPIOS:

Barcelos e Novo Airão

BIOMA:

Amazônia

ÁREA TOTAL:

2.272.000 hectares

INFORMAÇÕES SOBRE A VISITAÇÃO

MAIS INFORMAÇÕES:

Embora existam hidroaviões, bimotores e helicópteros que façam o trajeto até o Parque Nacional do Jaú a partir de Manaus, a principal forma de deslocamento é via fluvial. As idas podem ser tanto da capital amazonense quanto a partir de Novo Airão. A diferença principal é o tempo da viagem: de Manaus, ela dura cerca de 14h (via embarcação regional), enquanto que de Novo Airão o deslocamento é de cerca de 3h de lancha rápida (ou 8h com embarcação do tipo “recreio”). 

Atualmente, o Parque Nacional do Jaú não possui cobrança de ingresso, mas é necessária uma autorização de entrada, que pode ser requerida pelo e-mail [email protected]

Uma das mais importantes funções de uma unidade de conservação como o Parque Nacional do Jaú é conciliar e integrar a conservação da natureza e a recreação/ecoturismo para as pessoas.

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