O que não fazer nos parques naturais: da proibição de drones a evitar jogar casca de banana
03/03/2026
Visitar parques naturais é uma atividade que entra cada vez mais no gosto da população brasileira. Diversas pesquisas apontam que as pessoas querem ampliar o contato com a natureza e o meio ambiente – o que, sabemos, nossos parques têm de sobra. Com um número cada vez maior de visitantes, é importante que exista também leis e princípios que garantam a segurança, tanto de turistas quanto da fauna e flora local: são regras que salvam vidas.
Estas diretrizes, porém, muitas vezes podem ser consideradas chatas e desnecessárias por quem visita unidades de conservação. Para quem atua na área pode parecer óbvio, mas a verdade é que turistas e visitantes não têm obrigação de saber que este regramento é feito justamente para garantir a segurança das próprias pessoas, dos biomas e da biodiversidade existente nos parques pelo Brasil.
É sempre bom lembrar que a visitação é parte integrante dos objetivos centrais de uma unidade de conservação: a natureza protegida está intrinsecamente ligada ao desejo de visitar uma área ao ar livre.
Algumas destas regras que salvam vidas, tanto as humanas quanto as de outros seres vivos, fazem parte inclusive da nova Política Nacional de Incentivo à Visitação a Unidades de Conservação, criada em 2025. De acordo com ela, a visitação deve considerar impactos à fauna, à flora, manter recursos naturais protegidos e ter medidas mitigatórias para todo o contexto natural.
4 regras que salvam vidas nos parques naturais brasileiros
Antes de entrarmos um pouco mais a fundo em 4 regras que salvam vidas nos parques brasileiros, é importante ressaltar que cada unidade de conservação possui diretrizes específicas – e que devem ser seguidas e respeitadas por qualquer visitante. Afinal, cada parque natural é único e conta com um plano de manejo próprio, que contém princípios e regramentos específicos.
Dito isso, vamos para regras que podem até parecer chatas, mas que podem até salvar vidas.

- Não descartar restos de alimentos nos parques: é comum ouvir pessoas reclamando com condutores e guias de turismo sobre este tipo de regra. O argumento normalmente vai na linha “mas uma casca de banana é natural, é biodegradável, estou até ajudando o meio ambiente”. Mas não é bem assim.
“São diversas as problemáticas existentes em jogar restos de alimentos em ambiente natural. Do ponto de vista biológico, são duas as principais: a proliferação de espécies não-nativas no ambiente natural e evitar a disseminação de doenças patógenas para a fauna silvestre”, explica Thaynara Siqueira, que é bióloga, guia de turismo especializada em ecoturismo e consultora da Abeta (Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura).
De acordo com ela, os riscos podem afetar diretamente a fauna e a flora local. Ou seja: esta é, diretamente, uma das regras que salvam vidas, literalmente.
“Não temos controle sobre aquilo que estamos jogando na natureza, se uma semente vai virar um indivíduo adulto e se tornar uma espécie invasora, competindo com espécies nativas. Ao mesmo tempo, nossos restos podem transmitir doenças para animais, mesmo que sejam microrganismos que não acometem humanos. Isso acontece muitas vezes na mão contrária, como foi o caso da covid e da hanseníase, por exemplo”, complementa Thaynara.

- Obrigatoriedade do uso de calçados fechados: uma regra muito comum em diversas unidades de conservação é a que orienta visitantes a utilizarem botas e tênis fechados, ao invés de sandálias e papetes, por exemplo.
Um dos principais motivos para isso é a segurança de turistas: ele protege contra possíveis irregularidades do terreno (pedras e raízes, por exemplo) e também contra animais como cobras e formigas. Nunca é demais lembrar: quando visitamos um parque natural, estamos na “casa” de outros animais.
- Não voar drones em unidades de conservação: esta é mais uma das regras que costumam gerar comentários de visitantes em parques de todo o Brasil. De acordo com o ICMBio, na verdade é permitida a utilização de drones em áreas protegidas – desde que contem com autorização prévia para isso.
O principal motivo para a proibição de maneira generalizada é a proteção e o sossego da fauna e da natureza em geral. Muitas vezes, ambientes naturais amplos podem fazer com que o drone perca o sinal e a conexão com quem está pilotando o aparelho, o que pode ocasionar acidentes e, inclusive, a perda total.
Para quem tem interesse em obter mais informações a respeito das autorizações, este material desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental/ICMBio pode auxiliar. De qualquer maneira, é sempre bom entrar em contato com a administração da unidade de conservação desejada para saber as diretrizes específicas de cada uma.
- Proibição de levar seu animal de estimação: esta é mais uma das regras que salvam vidas, neste caso dos chamados pets e de animais silvestres. É uma proteção, primeiramente, para garantir a integridade física da fauna local e também de animais de estimação: pets podem atacar animais silvestres – ou sofrerem ataques deles -, destruir ninhos de pássaros e animais menores, por exemplo.
Não levar animais de estimação a unidades de conservação não é apenas uma recomendação, mas algo que está presente também na Lei de Crimes Ambientais.
Além dos exemplos acima, existe também o risco de contaminações, tanto para animais domésticos quanto de silvestres.
“É a mesma relação com os patógenos dos humanos, quando deixam restos de alimentos no ambiente natural. Um exemplo é a sarna, que é uma das principais causas de morte de canídeos silvestres no Brasil. No meio natural a sarna não existe, mas os pets entrando em contato com esses animais podem acabar transmitindo a doença”, lembra a especialista Thaynara.
Mesmo que sejam normas que, à primeira vista, podem não fazer sentido, estas são regras que salvam vidas e garantem a segurança de visitantes e também do meio ambiente.