Como a tecnologia pode auxiliar no monitoramento de visitas nos parques brasileiros
15/01/2026
O número de turistas dos parques brasileiros tem aumentado consideravelmente. Prova disso é o Visitômetro dos Parques do Brasil 2025: lançado pelo Instituto Semeia, ele mostrou o recorde de 15,9 milhões de visitantes em 2023, somando 308 parques estaduais e nacionais. Clique aqui para saber mais detalhes sobre os dados.
Estas informações são extremamente úteis: revelam tendências sobre conservação, interesses de turistas, desenvolvimento regional e bem-estar de quem vive perto ou longe das unidades de conservação.
Ao mesmo tempo, também sabemos que existem inúmeros desafios para que o monitoramento de visitantes seja efetivo. Com mais de 600 parques naturais existentes em um país de dimensões continentais, as realidades entre eles são muito diferentes e existem várias formas diferentes para que esta coleta de dados seja realizada.
Neste texto, trazemos alguns exemplos de como a tecnologia auxilia no processo de monitoramento.
Por que saber o número de turistas é importante?
Primeiramente, é fundamental entender as razões por trás do método. A ideia de coletar o total de pessoas que visitam uma unidade de conservação passa por uma série de fatores. Saber o número de turistas que frequentam um determinado parque é fundamental para que as políticas públicas sejam aplicadas de maneira efetiva e eficaz em cada um dos parques – seja ele municipal, estadual ou federal.
“O processo de fortalecimento da visitação e o desenvolvimento de arranjos mais complexos de gestão demandam naturalmente um maior conjunto de evidências explícitas para subsidiar a gestão dos parques, em qualquer esfera”, explica Paulo Faria, coordenador Nacional de Estruturação e Qualificação da Visitação do ICMBio.
Algumas vantagens de saber o número de turistas nos parques brasileiros:
- O número representativo de visitantes reforça a relevância das áreas protegidas;
- Fortalece a importância social e ambiental dos parques na agenda pública;
- Potencializa os parques como vetores de conscientização ambiental;
- Conhecer os visitantes possibilita ações direcionadas ao público-alvo;
- Apoiam a conservação dos ecossistemas;
- Promove uma sociedade mais conectada com a natureza.
Como monitorar o número de turistas utilizando a tecnologia
Como dissemos acima, o monitoramento das visitas não é uniforme em todo o Brasil. Cada estado e cada parque utiliza técnicas diferentes de mensuração, que variam desde sistemas abrangentes de agendamento eletrônico de visitação até controles mais simples, como o registro manual de visitas em livros nos centros de visitantes – o mais importante é que ela seja feita, independentemente do formato. Confira alguns exemplos.
Agendamento online
Implementado pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC), o agendamento online de visitação nos parques de gestão estadual já é uma realidade. No caso de Santa Catarina foi desenvolvida uma plataforma digital específica para este fim – que permite reserva prévia para a visitação das unidades de conservação estaduais.
As vantagens deste tipo de agendamento vão além do número de turistas: com ele, é possível registrar uma série de informações de todos os visitantes, que vão de idade, localização e comportamento dos visitantes.

“Esse sistema nos ajudou a entender melhor para os visitantes têm mais interesse de ir. O número de visitas ajuda a balizar e apoiar a decisão da contratação de serviços para apoio ao uso público no parque”, explica Karla Straioto Spessato, gerente de Áreas Naturais Protegidas do IMA-SC.
Desenvolver um sistema exclusivamente para colher informações de visitantes pode não ser uma realidade possível para diversos parques. Mas existem alternativas mais simples e mais baratas, já utilizadas por algumas unidades de conservação – como é o caso do Parque Nacional da Furna Feia/RN, que possui um formulário no Google Forms para cadastrar agendamentos online e que também funciona para monitorar o número de turistas.
Eco-contadores
Outra tecnologia utilizada a favor da coleta de dados de visitantes foi implantada pelo INEA-RJ (Instituto Estadual do Ambiente): os eco-contadores. A instalação foi iniciada em 2012, e funciona para monitorar o fluxo de turistas em diversos parques do Rio de Janeiro.
É uma tecnologia inovadora, colocada em trilhas específicas e que mede o número de turistas com sensores de movimento, que detectam a passagem e o perfil de visitação. É um método extremamente completo, que traz informações que vão muito além dos dados absolutos: traz fluxo de passagem, horários, dias de maior pico, o que auxilia a gestão a planejar estratégias do uso público.
Em atrativos muito movimentados e de difícil monitoramento, os eco-contadores são uma excelente alternativa para tomadas de decisão, potencializando os usos das unidades de conservação.

O bom e velho caderno de anotações
Quando o assunto é tecnologia em pleno século 21, dificilmente o que vem à mente são invenções que remontam há milhares de anos. Mesmo fazendo parte da história da humanidade há milênios, ainda que em outros formatos, um caderno ainda pode ser funcional e eficaz para a contagem do número de turistas em parques e outras informações.
Especialmente para unidades de conservação que não comercializam ingressos para entrada, um caderno de anotações pode ser utilizado com eficiência. É o que acontece, por exemplo, no Parque Nacional da Serra do Divisor/AC, que registrou 2.995 visitantes em 2024 – tudo registrado em cadernos.
“Aqui, medimos a visitação com o auto registro dos turistas nas pousadas. Eles incluem as informações de onde vieram, as datas e o que motivou a visita nos caderninhos das hospedagens. Essa foi uma das primeiras ações quando começamos a implementar o monitoramento de uma maneira mais sistemática”, explica Laurence Gilman, gestor da NGI (Núcleo de Gestão Integrada) Cruzeiro do Sul, responsável pela gestão do parque e das Resex Alto Juruá e Riozinho da Liberdade.
São diversas as formas de monitoramento, que podem ser utilizadas de acordo com a realidade de cada local. O ICMBio desenvolveu, inclusive, o Manual de Métodos para o Monitoramento do Número de Visitas em Unidades de Conservação Federais, que pode ser utilizado como base.
Mesmo com os desafios enfrentados, é essencial para o futuro das áreas protegidas do Brasil que a mensuração da visitação seja o mais próxima possível da realidade, gerando benefícios para a sociedade de maneira geral.