Dia Mundial do Meio Ambiente: a importância das unidades de conservação no atual contexto climático 

Por Mariana Haddad, coordenadora de conhecimento do Instituto Semeia

05/06/2024

Parque Nacional Restinga de Jurubatiba (RJ) | Foto: Rogério Peccioli

As mudanças climáticas e os impactos sobre o estado do Rio Grande do Sul têm feito com que o debate sobre a conservação da natureza ganhe relevância para a população. De tempos em tempos, as consequências da exploração desenfreada dos recursos naturais se manifestam com mais intensidade. E é nesse momento que a urgência de iniciativas que conservem esse estoque de recursos naturais (o chamado capital natural) se mostra necessária. Nesse cenário, preservar as unidades de conservação (UCs) é fundamental para mitigar os impactos sociais, ambientais e econômicos que nos levaram à atual situação climática. 

O capital natural que ainda existe em nosso planeta é responsável por equilibrar os ciclos hídricos, a formação dos solos e tantos outros serviços ambientais. Também são esses recursos que conseguem proteger ou minimizar os riscos de fenômenos climáticos mais extremos, como enchentes, incêndios e processos de desertificação. Neste cenário, as florestas, assim como as áreas protegidas, têm papel essencial na contenção e desaceleração do ritmo das mudanças climáticas, uma vez que absorvem gás carbônico e equilibram o regime de chuvas e o ciclo hidrológico como um todo.

Ciente dessa urgência por mudança nos modelos econômicos globais e no uso do capital natural, a ONU estabeleceu o período entre 2021 e 2030 como a Década de Restauração dos Ecossistemas. São 10 anos com o objetivo de prevenir, deter e reverter a degradação dos ecossistemas em todo o mundo. Segundo o Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (Pnuma), se restaurarmos efetivamente 15% das terras, poderemos evitar a extinção de cerca de 60% de espécies e contribuir com a redução do aquecimento global.

O Brasil possui a segunda maior área de floresta do mundo, ou seja, aproximadamente 60% do território do país está coberto por florestas naturais e plantadas. Sem dizer que cerca de 30% é ocupado por unidades de conservação. A conservação e recuperação de ecossistemas, a preservação do solo e a promoção de ações de educação ambiental, lazer e recreação estão entre os motivos de existência dessas áreas. Logo, a conservação e a restauração do meio ambiente, fundamentais para frear as ações devastadoras das mudanças climáticas, enfatizam a importância desses locais.

Embora a agenda pareça distante, as ações diárias de conservação também dependem de nós, como cidadãs e cidadãos. Além de órgãos públicos, empresas e organizações, cabe à população assumir a responsabilidade de lutar pela conservação do meio ambiente e restauração das áreas degradadas.

De forma mais independente, é possível engajar-se em iniciativas de plantio de árvores, de limpeza de praias e em ações que valorizem o desenvolvimento sustentável – como visitação a parques e unidades de conservação, que promovem a educação ambiental e o desenvolvimento econômico social e ambientalmente sustentável das comunidades do entorno.

Na agenda da restauração ambiental, é possível exercer papéis importantíssimos e, até mesmo decisivos, enquanto cidadãos, nos informando, divulgando e participando de reuniões e audiências públicas sobre leis e projetos referentes ao aumento ou à redução de parques e unidades de conservação nos nossos municípios, estados e país.  Apesar de o nível de degradação estar bem avançado, ainda nos resta tempo para revertermos esta grave situação, colaborando com a valorização de nossas unidades de conservação. Precisamos, com urgência, reverter as perdas da nossa biodiversidade para garantir qualidade de vida e bem-estar para as gerações atuais e futuras.

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