Conheça o Parque Nacional dos Campos Gerais
Unidade de conservação no Paraná tem formações com mais de 65 milhões de anos, que contam parte da história do Brasil
24/02/2026
Angelo Chernicharo
Conhecer o Parque Nacional dos Campos Gerais/PR é conhecer um pouco da história natural do nosso país. Com apenas 20 anos de existência, completados em 2026, o local chama a atenção por conter belezas cênicas de tirar o fôlego – e que remontam a uma história de milhões de anos atrás.
A paisagem na região centro-leste paranaense, onde se encontra o parque, é única. E quando dizemos única, é porque é justamente isso: ela conta com atributos únicos nos Campos Gerais. A principal razão para isso é a Escarpa Devoniana, que está situada no encontro de dois biomas, a Mata Atlântica e o Cerrado.
“Os Campos Gerais são campos rupestres da Mata Atlântica, assemelhados ao Cerrado. É o mesmo campo que existe na região dos Aparados da Serra, mas aqui eles são mais arbustivos. Essa formação só existe na beira da Escarpa Devoniana”, explica Rogério Florenzano Júnior, gestor do Parque Nacional dos Campos Gerais e natural da cidade de Ponta Grossa, onde está situada a maior porção da unidade de conservação.
A conservação e a proteção desta área de extrema importância para a biodiversidade estão entre os principais motivadores para a criação do parque, em 2006. As formações geológicas destas escarpas têm cerca de 65 milhões de anos, com rochas que datam de aproximadamente 400 milhões de anos – justamente no período Devoniano.
Essa história riquíssima, aliada à proximidade entre Mata Atlântica e Cerrado, proporciona tudo o que o Parque Nacional dos Campos Gerais oferece: fauna e flora estabelecidas a partir de condições geomorfológicas únicas em todo o mundo, com uma riqueza de experiências poucas vezes vista.
Tudo isso faz com que o Parque proporcione cachoeiras, furnas, trilhas e contemplação das mais variadas, para os mais diversos tipos de turistas, envolvendo natureza, conservação e história.

Natureza, comunidade e a conservação da história nos Campos Gerais
A criação de uma área de proteção, por si só, não garante a promoção da conservação da biodiversidade. A construção de uma cultura de visitação leva tempo e deve contar com a participação ativa da comunidade local – leia mais sobre o tema clicando aqui.
A sensação de pertencimento, tanto dos moradores do entorno quanto de visitantes, é parte central desta cultura. No Parque Nacional dos Campos Gerais, esse desenvolvimento do orgulho local ainda não é uma realidade para toda a população. Quem nos conta é Aniela Rocha, proprietária do café rural Partilha na comunidade Passo do Pupo, na zona de amortecimento do parque.
“Em algumas situações, recebemos pessoas de Ponta Grossa que desconhecem o Parque Nacional. Elas conhecem as furnas, a Cachoeira da Mariquinha, o Buraco do Padre, mas acham que são coisas separadas, não veem como um todo do Parque Nacional”, conta Aniela.
As belezas dos Campos Gerais remontam há milhões de anos, mas a criação do parque tem apenas duas décadas.
“São vários aspectos que fazem de um Parque como esse importante para as comunidades. Entre eles, destaco a valorização do território, o fortalecimento do senso de pertencimento, a valorização do patrimônio natural, a ampliação da oferta de emprego e a qualificação da mão de obra”, reflete Guilherme Forbeck, da operadora de turismo Refúgio das Curucaca, que atua dentro do Parque.
Para que a visitação ganhe escala de maneira sustentável, as pessoas envolvidas no processo entendem que a comunidade precisa ser protagonista.
“Começamos as oficinas prévias do plano de manejo, com reuniões nas comunidades, proprietários de terras, órgãos públicos, o pessoal do órgão. É importante que as pessoas façam parte de tudo, para que o Parque se torne um lugar melhor para todos”, complementa Rogério.Gerar pertencimento é parte da conservação – e este foi um dos principais motivos para a criação do projeto Parque ao Lado, do Entreparques. Implementada em parceria com o Refúgio das Curucacas, foram realizadas visitas guiadas com moradores e moradoras, promovendo uma visitação intencional ao Parque dos Campos Gerais.

Parque Nacional dos Campos Gerais: atrativos e atividades
A grande maioria dos atrativos dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais é operada pela iniciativa privada. Como a unidade de conservação foi criada há pouco tempo, proprietários particulares ainda detém a posse da área, que está em processo de regularização fundiária. No entanto, alguns empreendimentos estão em funcionamento para atender turistas: a visitação se divide em duas áreas dentro da unidade, a Norte e a Sul.
No entorno da Escarpa Devoniana, o parque reserva uma série de atividades para quem quer ampliar o contato com a natureza. Caminhar pelo parque já proporciona experiências inesquecíveis; afinal, as vistas dos paredões das escarpas, que mudam de acordo com a luz natural, já são um capítulo à parte quando falamos em belezas cênicas.
A lista abaixo conta com algumas das atrações do Parque Nacional dos Campos Gerais. Mas, como diz o gestor Rogério Florenzano, “ainda tem muita coisa que a gente não conhece, existem maravilhas que vamos descobrindo dia a dia”.
- Trilhas: são diversas trilhas dentro do parque. Tanto que já existe o Caminho da Escarpa Devoniana, com quase 500km e que faz parte da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso. Além do Parque Nacional, ela passa por outras três áreas protegidas: APA Rio São Cristóvão, Floresta Nacional de Piraí do Sul e APA da Escarpa Devoniana.
Existem diversas outras trilhas por dentro do parque, passando por fundas, campos sulinos, pelas escarpas e áreas naturais.
- Furna Buraco do Padre: um dos atrativos naturais mais conhecidos da região de Ponta Grossa fica dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais. Um monumento natural, com 40m de profundidade, com uma cascata que salta aos olhos, formando um anfiteatro ao ar livre. A Fenda da Freira faz parte do complexo.
A estrutura do Buraco do Padre conta com trilha acessível, restaurante e estacionamento.
- Furnas do Passo do Pupo: são diferentes atrações naturais relativamente próximas, que podem ser visitadas preferencialmente de maneira guiada. As Furnas Gêmeas, a Furna do Anfiteatro e a Furna Grande fazem deste um dos locais inesquecíveis para visitantes.
“Em 1996 eu estava dentro da Furna Grande e senti o quão forte era a relação com o ambiente natural. Até os dias atuais, mesmo trabalhando diariamente dentro do parque, aproveito meus dias de descanso neste espaço”, conta Guilherme Forbeck, do Refúgio das Curucacas, que realiza os passeios nestes atrativos, entre outros.
- Cachoeira da Mariquinha: uma queda d’água com 30m de altura, que forma um poço com uma prainha de água doce ideal para se reconectar com a natureza. O local é rodeado pela mata arbustiva típica da região, à beira das escarpas, e também existem trilhas acessíveis para explorar a região. Cânion e cachoeira São Jorge: na área norte do Parque Nacional dos Campos Gerais, um dos locais com vista privilegiada da natureza escarpada. O cânion é exponencial: com uma largura que chega a até 270m, ele tem cerca de 1,3km de extensão. São várias cachoeiras, com a de São Jorge e seus 30m de queda se destacando entre elas. Existem diversas piscinas naturais no local e algumas trilhas para explorar.
ESFERA ADMINISTRATIVA
Federal
DATA DE CRIAÇÃO:
23 de março de 2006
ESTADO:
Paraná
MUNICÍPIOS:
Carambeí, Castro e Ponta Grossa
BIOMA:
Mata Atlântica
ÁREA TOTAL:
21,2 mil hectares
INFORMAÇÕES SOBRE A VISITAÇÃO
MAIS INFORMAÇÕES:
A visitação do Parque Nacional dos Campos Gerais tem crescido ano a ano, graças às belezas naturais e ao trabalho estruturado de diversas pessoas na região de Ponta Grossa. O parque ainda não conta com uma entrada com portaria oficial, o que deve acontecer com os próximos passos do plano de manejo e da regularização fundiária.
A entrada normalmente é feita por meio dos atrativos, com a compra de ingresso e a contratação de serviços turísticos direto com os operadores. O parque está a cerca de 30km da cidade de Ponta Grossa e a cerca de 100km do Aeroporto Internacional de Curitiba.