Conheça o Parque Estadual da Serra da Tiririca

Com forte vocação para caminhadas, unidade de conservação em Niterói e Maricá é parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica

23/04/2026

Anna Beatriz Fonseca

A cerca de 35 km do Centro da cidade mais visitada do Brasil está uma das grandes riquezas naturais do nosso país – não só em relação a biodiversidade, mas também de um local que reserva atrativos turísticos e vistas panorâmicas que chamam a atenção de qualquer visitante. Estamos falando do Parque Estadual da Serra da Tiririca, que fica nas cidades de Niterói e Maricá, a uma ponte Rio-Niterói de distância da capital fluminense. 

Com seus mais de 3 mil hectares de área protegida, a unidade de conservação é formada por zonas marinhas e terrestres, exatamente na região hidrográfica da Baía de Guanabara. Embora seja um tesouro repleto de atrações naturais, está em uma área bem urbanizada, distante apenas 15 km do centro de Niterói. 

A criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca tem forte influência popular. Nos anos 80, o movimento Cidadania Ecológica foi importantíssimo para frear a especulação imobiliária na região, permitindo que a área se tornasse o que é hoje: um patrimônio natural brasileiro, com forte apelo para visitação. Atualmente, o local está inserido na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica por conta da importância fundamental ao bioma. 

A oficialização da unidade de conservação, em 1991, tem papel importante para a proteção dos sistemas lagunares de Maricá e Niterói, incluindo a laguna de Itaipu. Alguns dos principais rios e córregos da região nascem na área da unidade, como os rios Jacaré, João Mendes e Sapê.

“A relação do Parque Estadual da Serra da Tiririca com o sistema lagunar é histórica. Desde a criação, o parque desempenha um papel fundamental na proteção da bacia hidrográfica. Entre os objetivos, está a redução dos processos erosivos, fator essencial para a manutenção do equilíbrio ambiental local”, comenta Rony Amorim, gestor da unidade.  

A proximidade com o oceano Atlântico é um grande diferencial do parque. Afinal, ele começa à beira-mar, entre as praias de Itacoatiara e Itaipuaçu, e vai adentrando o continente com uma cadeia de montanhas que proporcionam trilhas e mirantes espetaculares, com visuais que combinam praia, mar e a imensidão da Mata Atlântica. 

A flora local conta com diversas espécies endêmicas, como o pau-brasil e a copaíba, além de árvores históricas, como figueiras. As trilhas, que levam a mirantes e outras belezas, são o grande destaque, como vamos ver a seguir. 

A passagem de Charles Darwin pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca

Um dos pontos mais icônicos do parque é a Rota Charles Darwin, que faz parte da Rede Brasileira de Trilhas. O nome não é por acaso: o naturalista britânico Charles Darwin passou pela região em 1832, quando estava realizando uma excursão científica pelo mundo. 

“Darwin registrou detalhadamente as observações da fauna, flora e geologia da região em seu diário de campo, incluindo relatos sobre a passagem pela Fazenda Itaocaia, em Maricá. O trecho percorrido por ele passava por uma antiga trilha de tropeiros, conhecida como Estrada  do Vai e Vem, utilizada para transporte de produtos. Com o objetivo de valorizar a importância histórica de sua passagem e promover o turismo ecológico, o caminho foi batizado e sinalizado”, conta Rony.

A Rota Charles Darwin combina história e beleza cênica e passa pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca, mas vai além dele: ao todo são 28 km, que podem ser percorridos caminhando ou de bicicleta. Clique aqui para saber mais.

Turismo e a relação com a comunidade 

“É fundamental criar um senso de pertencimento na população que mora próxima à área do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Quem gosta, ama e preserva. E o parque é um marco na conservação do estado do Rio de Janeiro” 

A frase é de Luiz Gustavo Manhães, nascido e criado em Niterói e guarda-parque da unidade desde 2012. De acordo com ele, este sentimento de pertencimento já existe nas comunidades mais antigas, como o Quilombo do Grotão e a comunidade Morro das Andorinhas. Mas é importante que esta conexão seja ampliada para novos moradores. O gestor da unidade concorda com ele e vai além. 

Foto: Luiz Gustavo Manhães

“Essas comunidades desempenham um papel fundamental na conservação ambiental, atuando como parceiras na proteção do território. O turismo, especialmente nas vertentes de aventura e ecoturismo, possui grande potencial para geração de renda nas áreas do entorno do Parque Estadual da Serra da Tiririca. Como a visitação é caracterizada como uso indireto dos recursos naturais, ela é plenamente compatível com os objetivos de conservação da unidade”, completa Rony. 

Gustavo frequenta o parque desde criança, quando ia com os pais, e depois na adolescência, quando começou a fazer trilhas na região, especialmente no Costão de Itacoatiara e na Pedra do Elefante. Hoje, continua trilhando, mas ao lado de turistas de todo o mundo. 

“Quando surgiu a chance de trabalhar como guarda-parque, era tudo que eu queria. Hoje trabalho em uma área que eu amo, recepcionando e orientando visitantes com respeito, cordialidade e explicando a importância ambiental do parque”, afirma Gustavo. 

Parque Estadual da Serra da Tiririca: atrativos e atividades 

As trilhas são o principal chamariz do parque. E o motivo é muito simples: elas reúnem visuais belíssimos, mirantes deslumbrantes e uma imensidão da fauna e flora típicas da Mata Atlântica, tudo ao mesmo tempo. 

Além das diversas opções de caminhadas, o Parque Estadual da Serra da Tiririca tem ainda atividades educativas, com trilhas interpretativas e ações do Programa VEM – que incluem Vem Pedalar, Vem Ver o Céu, Vem Borboletar, Vem Sapear e Vem Passarinhar. Para ficar por dentro das datas destas atividades, o ideal é acompanhar o parque nas redes sociais

Foto: Moisés Silva Lima

Algumas trilhas também são disponíveis para cicloturismo e ainda existem espaços onde é possível praticar escalada e rapel, como a Pedra do Elefante – sempre com a recomendação de guias especializadas na atividade. 

Conheça algumas das principais trilhas do Parque: 

  • Calçada da Fauna: inaugurada no final de 2025 pelo Inea/RJ (Instituto Estadual do Ambiente), apresenta pegadas de diversas espécies que habitam o Parque Estadual da Serra da Tiririca. É um passeio que tem foco em crianças, mas também para adultos. 
  • Trilha do Costão do Itacoatiara: considerada uma trilha de leve a moderada, conta com uma das vistas mais impactantes do Parque. Com limite de visitantes por dia, ela vale a caminhada de cerca de 1,6km. 
  • Trilha da Pedra do Elefante: para pessoas um pouco mais bem preparadas, ela tem cerca de 4 km, que culmina em uma rocha com formato de cabeça de elefante. Como curiosidade, ela está exatamente no limite entre as cidades de Niterói e Maricá. 
  • Trilha do Morro da Peça: uma das mais fáceis do Parque Estadual da Serra da Tiririca, mas não por isso menos impactante. São cerca de 300m de uma subida leve, mas que reservam vista para a lagoa de Itaipu. Ela faz parte da Rota Charles Darwin. 
  • Trilha do Morro das Andorinhas: com pouco mais de 5km, ela traz vistas belíssimas para as praias de Itacoatiara e Itaipu. Nesta mesma trilha existe ainda a possibilidade de visitar a Ponta das Andorinhas e a Casa de Pedra. 
  • Para maior contato com a Mata Atlântica: as trilhas acima são na Mata Atlântica, mas são trechos mais abertos, que proporcionam uma amplitude maior em direção à costa. Trilhas como o Caminho Darwin, o Córrego dos Colibris e a trilha do rio João Mendes oferecem mais conexão direta com a mata conservada. 
ESFERA ADMINISTRATIVA

Estadual

DATA DE CRIAÇÃO:

29 de novembro de 1991

ESTADO:

Rio de Janeiro

MUNICÍPIOS:

Maricá e Niterói

BIOMA:

Mata Atlântica

ÁREA TOTAL:

3.493 hectares

INFORMAÇÕES SOBRE A VISITAÇÃO

MAIS INFORMAÇÕES:

O Parque da Serra da Tiririca é muito fácil de acessar, já que está a cerca de 35 km do centro do Rio de Janeiro. Ou seja: se você for ao Rio, vale muito a pena esticar um dia para conhecê-lo! 

A visitação está aberta diariamente das 8h às 17h. O uso público segue as diretrizes de visitação em parques administrados pelo Inea. As trilhas não têm a obrigatoriedade de guias e condutores, mas o Instituto Semeia recomenda que você faça isso: a visita será mais rica, mais segura e com muito mais qualidade. Clique aqui para saber mais a respeito. 

Neste link você pode encontrar a lista completa de condutores credenciados para a sua vista.  

Para agendar visitas guiadas ou realizar atividades de pesquisa, o contato é pelo e-mail [email protected]

O Parque proporciona cachoeiras, furnas, trilhas e contemplação das mais variadas, para os mais diversos tipos de turistas, envolvendo natureza, conservação e história.

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